sábado, 29 de maio de 2010
A FAMOSA VOZ DO CORAÇÃO
deixe de ser teimoso.
Você já aprendeu que fiar-se em qualquer coisa externa a você para alcançar alguma forma de felicidade é abrir mão de uma plenitude que sempre esteve aí; é tratar a si mesmo como um aleijado, como uma prótese de alguma outra coisa.
Você já aprendeu isso. Passa o tempo inteiro encarando um mundo que não pensa assim, conhece muita gente que discorda disso, mas, mesmo assim, quando se dá conta, está flagrando o mesmo princípio se repetir ou com você ou com as pessoas em volta.
Você já aprendeu. Você nasceu do jeito que nasceu, não há nada errado ou insuficiente em você, você tem o corpo sadio, tem uma mente que se abre sem maiores dificuldades, tem um temperamento pacífico - quando está no seu elemento - e tem afeto de sobra para si e para distribuir.
Você já aprendeu isso tudo. Então por que insiste em desafiar a si mesmo?
Quando você disse a si mesmo "qualquer coisa externa", era realmente "qualquer coisa" externa. Então compreenda que "qualquer coisa" que você decida ignorar nesse sentido vai fatalmente vir carregadinha de karma.
Há certas coisas que você prefere continuar fazendo. Talvez por não se achar pronto para abandoná-las, talvez por não se ver ainda tão corajoso quanto poderia ser. O fato é que você escolhe. Você as elege. Então procure abrir essa exceção apenas para aquilo cujo karma - já conhecido - te parece contornável. Já não é o ideal, mas, admito, você não é apenas idéia. Parte de você é realmente coisa e deve ser cuidada como qualquer coisa de valor.
Já sobre outras coisas, você sabe perfeitamente que, ainda que decida tratá-las com alguma dose de cinismo ou distanciamento, vai dar com a cara no muro. Porque vai desvirtuá-las por completo. Vai fazer com que elas percam o sentido. Então não se lance em direção a nada que vá anular o grande estado que você já alcançou e que, a cada esquina, a cada distração, tem realmente ajudado de alguma forma as pessoas que estão à sua volta.
É amor que você quer? É realmente amor? Está faltando amor aí?
É segurança? Você está inseguro? E conhece algo nesta vida que seja garantia real de segurança; algo diferente de traçar seu caminho de maneira atenta e jamais deixar de brandir a chamada arma da atenção? Você conhece algo externo a si mesmo que possa te garantir essa tal segurança?
Você vai insistir no erro de esperar por algo externo?
E vai esperar isso tudo de alguma pessoa, justo quando cada um está suficientemente sufocado por seus próprios dilemas? Vai eleger uma pessoa para conversar sobre como o mundo inteiro é torto? Essa pessoa, por algum acaso, será externa ao mundo?
Carlos,
você já sabe disso tudo.
Procure não dar tanta bobeira. É seu coração que te pede.
Por favor.
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sexta-feira, 28 de maio de 2010
MESTRE EM PLANOS PARALELOS
Nada do que eu conclua hoje sobre a vida e o mundo pode ser encarado como um surto, um rompante, um relâmpago surgido do vácuo, uma invenção sem pai nem mãe, uma luz que se acende na mais sinistra escuridão.
Tem anos, trintetrês, mais exatamente, que venho formando minha cabeça e minha visão de mundo. Ao longo desse tempo, descobri que o natural, para mim, enquanto tantos se esforçam para cercar-se de bens materiais, de provas concretas de seus sucessos e avanços, é investir em valores internos.
Sou meu próprio projeto, minha própria ambição, meu próprio patrimônio. Sou pai e filho de mim mesmo, assim como sou pai e filho do universo mágico, metafísico, diante do qual me curvo e que reverencio o tempo inteiro.
Hoje o dia começou com uma notícia interessante: um francês ouviu uma música minha na internet e pediu para inseri-la em um filme que deve ser exibido tanto no Brasil quanto na França. Um filme sobre Brasília, a ser exibido em festivais de artes dos dois países.
Autorizei, é claro.
Sendo assim, enquanto passo os dias no morro da Mangueira, no Rio de Janeiro, serei ouvido e apreciado pelos círculos mais aristocráticos do velho continente.
Brasília já tinha me servido para muito além do que eu poderia esperar de qualquer cidade. Além dos inúmeros eventos estranhos que coro só mesmo em pensar em dividir com os amigos, ainda me trouxe a experiência mágica de ver a mim mesmo na tela do cinema.
Ali era o também francês Henri, personagem do livro/peça/filme de Clarah Averbuck. O livro chama-se "Máquina de Pinball". O filme, dirigido por Murilo Salles, chama-se "Nome Próprio". O ator era francês, mas, teoricamente, o personagem era eu. Ir ao cinema assistir a uma versão ficcional de mim mesmo já tinha sido impressionante. Só sobre essa experiência, já seria capaz de falar por dias a fio.
Mas agora é algo um tanto diferente: é minha voz mesmo, é meu violão colorindo a película. É o fruto de dois anos de reclusão estampado nas telas, servindo de trilha sonora para aquela mesma cidade que me inspirou a canção e tantas outras coisas.
Brasília, Brasília. Brasília que não me sai do pensamento, Brasília que não me sai do blogue, Brasília que me invade por todos os lados, mesmo por aqueles que, teoricamente, não passariam por lá.
Abaixo, segue um texto que submeti à Universidade Federal Fluminense, tentando me inscrever em uma pós-graduação em educação a distância. Esse curso, imagino por agora, pode ser a chave que faltava para que eu possa me mandar para o interior do país e viabilizar todas as outras coisas sobre as quais venho falando ad nauseum.
O tema da redação era "minhas perspectivas de atuação no ensino a distância".
Enjoy.
"O filósofo grego Platão costumava dividir tudo o que existe em dois mundos bem específicos: o mundo das coisas e o mundo das idéias. Quando trilhamos o caminho do conhecimento, é natural, colocamos cada vez mais ênfase no mundo das idéias. Dotados de conhecimento, não apenas podemos nos descolar mais facilmente da realidade dada e criar outra mais apropriada, como ainda deixamos nós mesmos de nos entendermos como coisas, passando a compreender que, assim como as idéias, estamos conectados e influímos diretamente nas vidas uns dos outros.
O conhecimento tem o poder de alterar o dia a dia das pessoas, de fazê-las viverem melhor. Tem o poder de fazê-las conhecerem melhor a si mesmas e à realidade que as cerca. O conhecimento fornece ao indivíduo autonomia, de forma mais imediata e menos nociva do que a sanha pelo acúmulo de bens materiais, que perde de vista o outro e o equilíbrio de todo o sistema. Com acesso a educação, fica mais fácil percebermos que estamos inseridos em um sem-número de ambientes, seja o político, definido por leis que tomam uma faixa contígua de terra como um Estado, um país, seja o humano, explicitado pelo dom comum a todas as pessoas - o dom de evoluir, de expandir sua consciência -, seja o natural, que, em um mundo cada vez mais afeito às criações do homem, passa a ser encarado como empecilho para sua independência.
O educador Darcy Ribeiro já disse que, ao final da vida, contava inúmeros fracassos. Entre esses, estava a tentativa de promover educação de qualidade para o povo brasileiro, no qual contava não apenas o homem dito civilizado, mas ainda nossos irmãos silvícolas, aos quais pretendia alfabetizar. Foi-se dizendo-se fracassado em ambos os intentos. Mas foi-se declarando que cada fracasso daqueles, pela tentativa honrada, dedicada, honesta, representava um de seus maiores sucessos.
O presidente Juscelino Kubitschek tomou posse defendendo a bandeira da interiorização do desenvolvimento no país. Em nome disso, criou-se uma nova capital, montou-se toda uma estrutura administrativa, essa capital já tem até seu próprio povo, sua própria cultura florescente, mas nota-se à primeira olhada tratar-se, até agora, de uma ilha de prosperidade material em meio ao bom e velho sertão, entendido no sentido de terras inexploradas, vocábulo caro aos antigos senhores de engenho brasileiros.
Brasília foi criada sob a bandeira da expansão do conhecimento, da razão, da cultura e da civilização pelo território nacional. É chegada a hora de pôr o projeto em prática. Temos milhares de quilômetros povoados por brasileiros que passam a vida à margem de seu próprio país, de seu próprio povo, e que, em frágeis tentativas de inserção, acabam por ocupar as favelas, as periferias, as zonas cinzentas, sempre ostentando o status de cidadãos de segunda classe. Pois a solução para o contraste que se observa entre regiões, entre estados, entre bairros de nosso país é justamente a classe, o nível, o ano letivo.
Diz o antigo ditado: se Maomé não vai à montanha - e em nosso caso, o percurso e as condições de viagem de Maomé, no interior do país, até a montanha acadêmica não são as mais favoráveis - que vá a montanha até Maomé. A apropriação pode parecer um tanto religiosa, mística, afeita a planos improváveis, mas é passada em ambiente virtual, pela internet, algo que o ser humano conseguiu empreender no sentido de acessar justamente planos alheios à realidade material. Através da internet, pode-se passar tudo o que não é coisa. Através da internet, como talvez dissesse Platão, transmite-se, apresenta-se e insere-se o homem no mundo das idéias. Inserido o homem no mundo das idéias, altera-se naturalmente o estado do mundo das coisas".
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terça-feira, 25 de maio de 2010
ORBIS PARUM, OMNIMODUS INFINITUM
O espírito em Brasília, o corpo na Amazônia, as havaianas nas bordas de flores do mar de Iemanjá, cá em Copacabana.
As preocupações desta vida.
rio Solimões, aldeia tikuna
"Apesar do fato de que somos um fluxo em transformação incessante, interdependentes com outros seres e com o mundo inteiro, imaginamos que existe em nós uma entidade imutável a que devemos agradar, proteger, defender. Um olhar mais atento sobre si mesmo revelará que isso não passa de pura ficção" - budismo tibetano (Nyingma Pa).
"Once you have the View, although the delusory perceptions of samsara may arise in your mind, you will be like the sky; when a rainbow appears in front of it, it’s not particularly flattered, and when the clouds appear it’s not particularly disappointed either. There is a deep sense of contentment.
You chuckle from inside as you see the facade of samsara and nirvana; the View will keep you constantly amused, with a little inner smile bubbling away all the time" - Dilgo Khyentse Rinpoche (Vajrayana).
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domingo, 16 de maio de 2010
SÓFOCLES DESERTOR
- Decifra-me ou devoro-te.
- Decifrar-te é devorar-me.
- Decifra-me ou devoro-te.
- Decifra-te a ti mesma. Já estás a me devorar.
- Decifra: qual é o aninal que, pela manhã, tem quatro patas, à tarde tem duas e, à noite, tem três patas?
- Essa é fácil: o animal é o homem. Primeiro bebê, depois adulto, ereto, e, por fim, apoiando-se em uma bengala.
- Tens certeza disso?
- Não eu, mas tu. Acreditas que um bebê é um quadrúpede, e não um deus em potencial; vês o homem feito como arrimo de sua própria sorte; enxergas o ancião como um animal defeituoso. Miras na pedra, contemplas a areia; não consideras o vento, o tempo, o calor e as benesses do sol.
- Decifraste enfim o enigma. Hei de devorar-me a mim mesma.
- Coisa nenhuma. Tal charada propõe-se a falar sobre mim, mas nada diz sobre ti, ó, esfinge.
- Decifra-me ou devoro-te.
- Insistes baseada em capricho, em franca desonestidade? Já logrei o mais difícil, que foi decifrar a mim mesmo. Segue meu exemplo. Pediste que a decifrasse e apresentaste um enigma sobre mim. Que pensas? Acaso és reflexo meu?
- Decifra-me ou devoro-te.
- Ah, então pedes por desespero. Podes devorar-me a carne, mas suplicas diante do espírito.
- Decifra-me ou devoro-te.
- Não existes sem mim, ó, esfinge. És pedra temperada pela vaidade de teu artesão.
- Decifra-me ou devoro-te.
- Devoras de qualquer maneira, bruteza.
- Bruteza? Temo o tempo, no entanto. Temo o vento. Temo o calor.
- De certo; a eles não podes devorar.
- Decifra-me ou devoro-te.
- Pede ao tempo. Pede ao calor. Fores apenas capaz de enxergá-los.
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O CAMINHO DA CARNE
Pelo lado feminino, a paixão é a ilusão da maternidade.
Amor sempre rima com dor.
Paixão rima com ilusão.
Amor não é aquilo que se chama amor.
Amor é amar a quem te dá as costas.
Amar quem te ama é amar a si mesmo.
Já é muito, vantagem pra outro patamar.
Decifra-me ou deixa pra lá.
Decifra-me ou deixa pra lá.
A esfinge enxerga o próprio umbigo.
Enquanto o herói assiste àquilo, está tudo mais do que muito bem:
ambos olhando para o mesmo lugar.
Desbrave-o, atente para o umbigo fazendo florir vontades imprevisíveis.
Atente para a mãe atônita diante dos espasmos involuntários do cordão.
Serpenteando, o oráculo dos sentidos, condutor misterioso da consciência do casal.
Até que o herói, de fome, sente o próprio umbigo doer;
cai de joelhos, flagelado, novamente sozinho em si.
Criança que chora é duas coisas: criança sua é problema seu.
Criança dos outros é problema e ponto.
Doeu o umbiguinho, foi? Tem mãe não, menino fraco?
Umbigo ligado a umbigo. Enquanto a mulher se sente mãe, cuida como se houvesse o cordão.
Pelo lado feminino, a paixão é a ilusão da maternidade.
A mulher apaixonada é como a ovelha que amamenta o filhote do boi.
Tudo é conexão. O casal são pólos conectados.
Quando a conexão falha, seja de lá para cá, seja de cá para lá,
só há duas coisas a fazer:
o certo era só contemplar.
Veja a natureza operando, separando os grãos de matéria;
mas você força pra ver convergir.
Segure em minha mão, pule para o fluxo de cá.
Transforma-te desta vez que, na próxima, eu faço o esforço.
Para tentar controlar o que, na realidade, é o que me compõe.
Decifra-me ou deixa pra lá
Decifra-me ou deixa pra lá.
A mulher ideal? Qualquer uma.
O homem ideal? Qualquer um.
O fruto está sempre lá.
Não é preciso a extração por meio de ferramentas.
As raízes do fruto escapam pelas órbitas.
Captam a dor, o amor e a flor.
O estado ideal do homem?
Precisa de tempo. De vida. De atenção.
O estado ideal da mulher?
Mesma coisa. Trabalho.
Seguindo o caminho da carne, somos bichos atendendo a hormônios.
Bichos sofridos no peito, ocupando a cabeça com discursos que levam séculos para dizer que discursos são perda de tempo.
Bichos com poder de compra. E com poder de descarte.
Temo a era da reciclagem.
Contemplo o desgaste de todo o material.
Desgaste, embrutecimento, couraças e mais couraças.
Proteger o bichinho interno. Mais frágil que sua armadura.
Decifra-me ou deixa pra lá.
Decifra-me ou deixa pra lá.
O padeiro abre a porta do forno e extrai um negro monolito.
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
sábado, 17 de abril de 2010
AUTO-RETRATO

Ó, meu grande bem
Pudesse eu ver a estrada
Pudesse eu ter
A rota certa que levasse até
Dentro de ti
Ó, meu grande bem
Só vejo pistas falsas
É sempre assim
Cada picada aberta me tem mais
Fechado em mim
És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério
Doçura de luz
Amargo à sombra escura
Procuro em vão
Banhar-me em ti
E poder decifrar teu coração
És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério
Ó, grande mistério, meu bem, doce luz
Abrir as portas desse império teu
E ser feliz
"Luz e mistério" (Beto Guedes e Caetano Veloso)
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quarta-feira, 14 de abril de 2010
RIO: O DESESPERO URBANO
Essa merece registro.
Saí da Mangueira às duas da tarde. Precisava ir até a Rua México, no Centro, a fim de pagar o aluguel do apartamento. Precisava ir até lá porque o aluguel vencia no dia 5 e o boleto só chegou no dia 9. Por que o atraso? Porque nos dias anteriores a cidade parou e nem o correio entregou a correspondência.
A multa pelo atraso? Azar o seu, cidadão.
Saio da Mangueira às duas da tarde. Precisava também ir até o Recreio. Sendo assim, sabendo do completo caos dos transportes no Rio, achei prudente sair bem cedo. Para não ter erro, fui até a Rua México de táxi. Gastei 15 reais, apenas porque os ônibus demorariam demais. Para escapar do absurdo dos ônibus, só desembolsando um valor sete vezes maior do que o da passagem.
Peguei o táxi e, mesmo assim, levei meia-hora para cobrir uma distância que levaria dez minutos.
Na Rua México, no prédio da imobiliária, apenas um elevador funcionando. Dez minutos na fila. E todos quietos, olhando para baixo. Subi, cuidei da coisa e desci.
Cheguei à Cinelândia às dez para as três da tarde.
Sentei no ponto, acendi um cigarro e fumei-o inteiro.
Peguei então um ônibus em direção ao Recreio, já que um táxi chegaria talvez aos cem reais. Cem reais me pareceram um pouco demais para conseguir cumprir meus compromissos em paz. Então peguei o ônibus.
Entrei no ônibus às três da tarde. Cheguei no Recreio às cinco e meia. Sim, foram duas horas e meia dentro do ônibus, do Centro ao Recreio.
E não, não havia chuva nenhuma para que nossos governantes e nossa grande imprensa pudessem culpar. O Rio de Janeiro está assim mesmo.
Confesso sem culpa que tive muita vontade de chorar. Oceanos de carros particulares, todo mundo preso por todo mundo, Mercedes-Benz engarrafados ao lado de fuscas, ao lado de ônibus, de táxis, de motos. Todo mundo preso.
Na Barra, ainda outra tortura: a quantidade de voltas que o ônibus dá deixa mais do que claro que os itinerários atendem basicamente à sanha de lucro das empresas, e não às necessidades dos cidadãos. Surpresa nenhuma, em uma cidade (um país) completamente controlado por máfias. Todos sabem que todas as linhas de ônibus do Rio de Janeiro são monopólios de apenas uma empresa. No Rio, há diversas empresas de ônibus, mas elas não competem entre si. Sim, é um cartel. Sim, é uma bandidagem total.
Finalmente, cheguei a meu destino, no Recreio, às cinco e meia da tarde. Não adiantou ter ido. A pessoa que eu deveria encontrar foi-se embora às cinco em ponto.
Sim, foram duas horas e meia dentro de um ônibus à toa.
Resolvi poucas coisas no Recreio e comecei a caminhar pela rua, deserta, a não ser por carros particulares engarrafados. Nem asfalto decente o lugar tem, apesar da infindável quantidade de condomínios de luxo que se erguem a cada dia. Bom, mas nada demais: se nem rede de esgoto esses empreendimentos de luxo possuem... Jogam as fezes dos emergentes direto nas lagoas... Aliás, asfalto para quê? Calçada para quê? Quem anda a pé por ali, a não ser as empregadas domésticas?
Depois de alguns minutos sem avistar qualquer ônibus, eis que surge um daqueles famosos "frescões". Fiz o sinal.
O preço da passagem? Nove reais e cinqüenta centavos. Sim, certos ônibus custam R$ 2,35, enquanto outros custam R$ 9,50. O critério? Ah, vá: você não sabe que todas as coisas no mundo custam simplesmente o máximo que o dono do negócio se vê capaz de cobrar?
Pois então. Nove reais e cinqüenta centavos. Sim, o preço era esse. Procurei pelo cobrador. Não havia cobrador. O dono da empresa se vê no direito de cobrar quase dez reais por uma passagem e ainda demite o cobrador.
Sem cobrador, a cada pessoa que embarcava, o motorista parava, contava o dinheiro, dava o troco, passava a marcha e recomeçava tudo a 1 quilômetro por hora.
É um absurdo, mas é compreensível: maximizar lucros, minimizar custos. Além disso, um cobrador desempregado é um novo motorista em potencial. Assim, além de concentrar mais dinheiro em suas mãos, o empresário pode prescindir de aumentar o salário dos motoristas.
É óbvio: um exército de cobradores desempregados aumenta bastante a demanda por emprego, o que faz o valor dos salários, segundo a lógica demoníaca do "livre comércio" (hahahahaha! Livre!)... Ai, ai. Nem consigo terminar a frase.
Em suma: se há um monte de motoristas em potencial querendo um emprego, o dono da empresa simplesmente não precisa aumentar salário nenhum! Não está satisfeito com seu emprego de motorista? Dane-se. Tem quem queira.
Agora são sete e meia da noite. Depois da volta no frescão, conduzido por um motorista que esfregava em minha cara que não aceleraria nem um quilômetro a mais, já que atendia aos horários estipulados pela empresa, consigo chegar em casa.
Hein? O que quero dizer com tudo isso? Não sei. Acho que quero dizer que hoje fiquei por um fio de simplesmente cair no choro. Em público.
Mas já que estou aqui, vou narrar também minha ida ao trabalho.
Oito horas da manhã. Onde está o ônibus? Não passa.
Até que passam dois ao mesmo tempo. A linha 474 tem esse cacoete mesmo. Passam dois ônibus juntos, e sempre pela pista de fora. É uma gracinha deles.
Perdi ambos os ônibus e precisei pegar um táxi. Normalmente, essa viagem custa simbólicos (!) R$ 25. Calcule vintecinco reais multiplicados pelos dias úteis do mês. Depois compare com o salário que o governo do estado me paga. E depois ria, é claro.
Chegando a meu destino, a Mangueira, reparo que o taxímetro já está em trinta reais. E olha que a tabela já mudou mais uma vez. Trinta dizia o taxímetro. A tabela já dizia trintepoucos.
A vinte metros de onde eu pararia, arranho a garganta e dirijo-me ao motorista.
- amigo, não me leve a mal, mas seu taxímetro está funcionando direito?
O cara congelou.
- por quê? qual o problema?
- o problema é que faço esse caminho sempre e, ao final, dá R$ 25.
- ah, então está bom. paga R$ 25 mesmo.
Ou seja: taxímetro? pfff...
Conto ainda mais outra, essa ocorrida com um amigo de um amigo, que me contou em detalhes, mas que pode ser ficção também. Tem até personagem.
Jorginho gosta de fumar um baseadinho. Não conhece traficantes, não tem contato com essa gente e acaba pedindo que outro amigo, mais moreno, mais camuflável em meio à pobreza afrodescendente, suba o morro e faça o serviço por ambos.
Jorginho estava trabalhando e recebeu um telefonema do amigo, que avisava não ter conseguido a erva.
Combinaram então de encontrar-se perto de onde eu trabalho, ali, na Mangueira.
Encontraram-se diante da quadra da escola de samba. Conspiraram um pouco e decidiram acessar uma outra entrada da favela. No caminho, foram abordados por um carro da Polícia Militar.
- boa tarde. os senhores estão portando alguma substância entorpecente?
Jorginho, sempre educado, respondeu.
- não, senhor. não temos nada não. houve algum problema?
- bem, não têm nada aí? posso descer e revistar?
- pode sim, mas o senhor vai perder seu tempo. não temos nada.
Diante disso, os policiais resolveram deixar quieto e partiram adiante.
Alguns minutos depois, voltavam mais uma vez.
- é que ficou uma dúvida. os senhores se importam se forem revistados?
O que você diria, amigo? Sob a mira de uma metralhadora.
Pois Jorginho nem titubeou, desprovido de narcóticos que estava.
- podem revistar. fiquem à vontade.
Desceram, revistaram ambos e encontraram um pequeno baseado no bolso do amigo de Jorginho.
- já começou a aparecer! agora nós vamos proceder para a delegacia e seu amigo vai ser enquadrado no artigo 28. o senhor vai servir de testemunha.
Jorginho, que não é do crime e nem da polícia, franziu a testa.
- o que é o artigo 28?
- posse e bla bla bla.
- puxa vida, o senhor vai mesmo desgraçar nossa vida por causa desse baseadinho?
- por gentileza, entrem na viatura.
Entraram no carro dos policiais. Algumas voltas sem sentido e o policial vira-se para trás.
- vocês querem ir para a delegacia?
A resposta veio em uníssono.
- não...
- então vamos ver como podemos resolver isso.
Jorginho aguardou, mas seu amigo logo entendeu.
- quanto você tem aí, Jorginho?
- vinte reais.
Jorginho tinha sessenta reais, mas não era pai de ninguém.
- beleza, tenho vinte também. quarenta reais resolvem para os senhores?
Em silêncio, o policial apanhou os quarentas reais e guardou no bolso.
Não, não liberou Jorginho e o amigo imediatamente. Antes disso, para surpresa de ambos, abriu o porta-luvas da viatura da polícia, pegou uma quantidade de maconha que, no mercado das favelas, custaria dez reais e a vendeu por quarenta.
Sim, vendeu-a a Jorginho e ao amigo. E vendeu pelo quádruplo do preço.
Jorginho e o amigo então desceram, com a maconha vendida pelo policial nos bolsos, entraram em um bar, dividiram a erva discretamente, como dois cavalheiros discretos, e seguiram cada um para sua casa.
Pronto: este é o Rio de Janeiro de verdade. Curtiram?
Boa noite.
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sábado, 10 de abril de 2010
POLÍTICA: TEATRINHO DE PEDREIRO
Amigos,
digo algo aqui que, de primeira, pode parecer um balde d'água fria. Acho, porém, que uma pesquisa profunda e uma reflexão também demorada podem levá-los a literalmente "deixar para lá" ilusões que nos foram incutidas e que não nos fazem bem nenhum.
Até o século 18, a maior parte do que chamamos de Ocidente estava nas mãos de monarcas, que herdaram "suas" terras de seus antepassados. O merecimento era o sangue de família e o processo de conquista era a guerra.
Não sei se sabem: a coroa do rei é uma representação do chacra coronário aberto. O cetro é a coluna vertebral ereta. O manto é a proteção que recai sobre o iluminado. Ou seja: esses monarcas eram CARICATURAS de iluminados, postas ali para iludir o resto das pessoas.
No século 18, um grupo de místicos, herdeiros dos famosos Templários, organizaram-se em uma sociedade hoje chamada "discreta" e foram dando golpes de Estado por todo o planeta. Por mais que se escondam por trás de discursos bonitos, esses homens recrutam seus novos membros não por elevação espiritual, mas por prestígio, vaidade e por qualquer fraqueza que lhes seja útil.
Fizeram "revoluções" enquanto quiseram e logo depois transformaram-se no máximo do reacionarismo que poderiam. A "esquerda" virou "direita" já no século 19.
Quando Napoleão Bonaparte declarou-se imperador, o discurso mentiroso dessa gente veio abaixo. Até Beethoven retirou homenagem ao novo monarca.
Ali, Beethoven disse:
"compus uma música para um revolucionário, não para um tirano".
Esse pessoal, que, na época dos Templários, INVENTOU OS BANCOS, acabou por se utilizar das idéias de alguns teóricos (iluministas) e INVENTOU O QUE CHAMAMOS HOJE DE POLÍTICA.
São sócios. Donos de empresas que patrocinam seus próprios candidatos e contam com o discurso de outros sócios, donos de empresas de comunicação.
É um teatrinho. Não percam seu tempo lutando contra isso. Prestem atenção ao mundo de verdade, que não se baseia em leis e em cinismos do discurso, mas sim na NATUREZA.
O homem, em estado puro, é um bicho como qualquer outro. Só será possível organizar a espécie quando mudarem de dentro para fora.
Não cito o nome das feras, mas todos os conhecem. Só não sabem até onde vai o "poder" deles.
Não adianta perguntarem se estou falando desses ou daqueles. Não posso confirmar ou negar o nome deles. Certa vez, passei por uma situação que prefiro não divulgar e acabei por fazer um juramento.
Dito isso, deixo a critério de cada um.
Paz e luz.
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sexta-feira, 9 de abril de 2010
ESTRÉIA SOBRE A CEGUEIRA
Desde que os meios de comunicação encontraram o grande filão da civilização maia, em relação ao vindouro ano de 2012, virou moda falarmos de coisas que, até então, eram papo de maluco, de místico, de religioso.
Há quem creia ou mesmo diga que vive na prática esferas da existência para além da material. Há quem negue tudo isso veementemente e diga que vive aqui, neste mundo aqui, lidando com as coisas daqui.
Eu, pessoalmente, acredito poder resumir a questão ao seguinte:
pensem em uma pedra de gelo.
O gelo, como sabemos, é um estado condensado da água. Analisando uma pedra de gelo, colocada sobre uma mesa, veremos que há ali um corpo sólido, do qual mina água em estado líquido, além de todo o vapor que podemos enxergar.
Olhando uma pedra de gelo, flagramos ao mesmo tempo três estados da matéria.
Se olharmos com pressa, veremos apenas o sólido. Com mais atenção, notamos a água que escorre da pedra. Com ainda mais dedicação, veremos o vapor subindo.
Podemos falar sobre o mundo partindo do etéreo ou do concreto. Em ambos os casos, estaremos tratando de estados físicos das mesmas substâncias, forças e energias.
Compreendo que, para o homem comum, ainda que ele enxergue o mundo e lhe atribua significado usando algo que não é concreto - a consciência - seja mais fácil falar sobre o que se pega com a mão.
É a partir daí que venho à máquina e exponho claramente uma situação bastante palpável: estou falando sobre a sua vida.
Sim, a sua vida. A minha e a sua.
Eu poderia aqui dissertar sobre a imensa nuvem negra que muitos sentem sobre a cidade, sobre o estado, sobre o planeta. Poderia falar sobre o nível geral de agressividade, que sobe dia a dia, incentivado pelos discursos que nos chegam pelos sete buracos da cabeça.
Trazendo o mundo mais para perto, porém, quero deixar registrado o seguinte, a fim de que a posteridade encontre essas idéias ordenadas e que as pessoas possam ter alguma fonte de informação, de raciocínio, que não esteja comprometida com nenhum interesse escuso:
no Rio de Janeiro,
na segunda-feira à noite, quando a chuva começou a cair fortemente, eu estava no Maracanã, o palco da Copa, das Olimpíadas, atrativo de tantos 'investimentos'.
Fiquei ilhado na passarela do metrô.
Resolvi então pegar o metrô. Única alternativa. Encontrei ali a maior fila que já vi na vida.
Depois de horas, cheguei ao guichê. Dos DEZ que havia ali, apenas UM estava funcionando.
Ao mesmo tempo, havia mais de dez seguranças patrimoniais no local, garantindo que ninguém borrasse a maquiagem do metrô.
Fica clara a visão que esses caras têm do serviço que prestam?
Havia um caos, sim, mas não era causado pela chuva.
Outro dia, todos viram funcionários da Supervia CHICOTEANDO os cidadãos que tentavam embarcar nos trens sub-humanos da Supervia.
Agora, o governador Sérgio Cabral Filho renovou o contrato com a Supervia. DOZE anos antes do previsto.
Quando houve aquela palhaçada manipuladora do petróleo, o argumento "do Rio" para ficar com a grana foi "respeito aos contratos assinados". Ou seja: não existe NADA mais importante para esses canalhas do que as negociatas que travam entre si.
Agora o Rio veio abaixo. E tanto o governador quanto o prefeito Eduardo Paes e a Globo culpam a NATUREZA pelo estado do local.
E mais: em relação a Niterói, a Globo foca no prefeito (do PDT). Em relação ao Rio, tenta jogar a 'culpa' para o governo federal. Como se não tivéssemos prefeito e governador.
Francamente? Não consigo me ocupar de temas mais amplos. Digo isso tranqüilamente, sem embates. O fato é que estou vendo todo mundo cego demais. Acostumado demais a ser tratado como bichos.
Acho que devíamos começar pela nossa rua, pelo caminho de casa até o trabalho... Depois de recuperarmos nosso caráter de seres humanos, aí sim, poderíamos teorizar.
Obrigado e não me levem a mal. Estou tentando com afinco separar meu karma do karma coletivo.
Por enquanto, o que faço é sentar no morro da Mangueira (palco da tragédia) e escrever um livro sobre Agenda 21 para crianças pobres.
Quem sabe se, traçando uma trajetória inversa à desses bandidos, a vida me aponta um caminho distante deles?
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sexta-feira, 2 de abril de 2010
A SÍNTESE DO HOMEM
Anos atrás, o orkut me presenteou com uma frase sensacional, que tomei como algo acerca da condição humana:
"todos ganham presentes, mas nem todos abrem o pacote".
Achei perfeita. Sintética, hermética, me fez coçar a pineal e agradecer ao autor desconhecido.
Já o autor citado abaixo é de notoriedade merecida.
O Rajneesh já disse e resumiu bem maneiro:
"O homem surge com todo o potencial de ser um Deus, mas permanece um animal, simplesmente porque se apega a energias cruas. Ele nunca tenta mudar essas energias cruas para uma forma mais refinada.
Elas podem ser mudadas: a raiva pode virar compaixão — apenas precisa passar pela meditação —, a ganância pode virar partilha, a luxúria pode virar amor, o amor pode virar oração.
No entanto, vivemos no último degrau da escada, vivemos onde nascemos. Nunca pensamos em nós mesmos como seres humanos potenciais. Subestimamos a vida, como se já nascêssemos inteiros, completos, perfeitos.
Mas isso não é verdade.
Nascemos com capacidade para ser perfeitos, nascemos com potencial para chegar ao pico mais alto. Mas é só um potencial — tem de ser concretizado. E para concretizá-lo precisamos de uma certa metodologia.
Certa ciência é necessária, e é a ciência da meditação. Não é uma ciência complicada, é muito simples. Mas às vezes acontece que perdemos a coisa mais simples da vida. Perdemos o óbvio, porque estamos sempre olhando para longe.
Somos sempre atraídos pelo distante, pelo longínquo, enquanto o mais próximo está sempre disponível.
Quando você se voltar para dentro, ficará surpreso pelo fato de isso ser um fenômeno tão simples e, no entanto, de tamanha beleza — a maior alegria possível, o maior desabrochar possível. Como você pôde perder isso por tanto tempo?
Você nem conseguirá explicar para si mesmo por que e como esperou tanto. E é um fenômeno que pode transformar todo o seu ser em outro".
Osho, em "Meditações Para a Noite".
Feliz Páscoa a todos.
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quarta-feira, 31 de março de 2010
APOCALYPSE LATER
Sentou-se e escreveu.
"Puxa, não sabia sobre o Hélio... Meus pêsames a todos.
Acho que só estive com ele uma ou duas vezes, mas ele foi bastante simpático e gentil comigo. A Dulcinha também só vi poucas vezes, mas ela foi ainda mais legal comigo. Lamento mesmo. Coisas da vida, né? Todo mundo tem sua hora... Espero que ele tenha ido em paz e que esteja num lugar legal.
Você vai ao almoço do tio Armandinho? Eu estou pensando em ir, ainda que isso vá me ferrar ainda mais nos trabalhos que tenho que fazer. Além daqui, da Mangueira, tenho dois frilas para fazer. Um deles já estourou o prazo há semanas. É, por enquanto, a vida aqui está caótica. hehehe. Mas vai ser legal se você for... Talvez eu dê apenas um pulo lá, para dar abraços e coisa e tal. Veremos.
Sobre seu pai e sobre a retirada dele da civilização... Eu penso em algumas coisas. Olha só: se eu me mudo para São Paulo e me inscrevo em um curso de inglês, fatalmente, depois de uns meses, vou ter novos amigos. Na minha sala de aula, vou encontrar um cara gente-boa, um cara arrogante, uma menina romântica, outra amarga, vou encontrar alguém que vai se tornar meu "opositor", vou encontrar um confidente...
Talvez, na cidade grande, alguém te faça um favor ou te puxe a perna com um português perfeito, cheio de regras de etiqueta. Talvez, no meio do mato, alguém te faça um favor ou te puxe a perna cheio de erros de concordância. Mas serão sempre pessoas, com sentimentos universais, com preconceitos, com virtudes... Ando achando que o ser humano é uma coisa só e só muda de endereço, de gosto para se vestir etc.
Vira-e-mexe, eu comento com amigos que, no ser humano, hoje em dia, só me interessa o coração.
Vê um exemplo: eu estou há vááááários anos estudando sobre política. E quando eu chego a uma festinha e ouço gente super intelectualizada (em suas áreas específicas) querendo discutir política, brigando por política, se ofendendo por política, botando a si mesma para baixo por política (como acontece com esses e-mails que falam mal do brasileiro, do presidente etc.), me dá vontade de ficar calado. Ora, eu sei o que estudei, sei o que vejo por aí e não vejo proveito em ficar trocando coisas "inteligentes" por aí.
Nesse sentido, talvez o seu pai pense parecido. Já viveu muito, já conheceu muita coisa e se cansou do papo-furado das pessoas. hahahaha. Acho coerente mesmo...
Acho que essas coisas são muito pessoais, muito subjetivas, mas a impressão que eu tive dele e da vida dele em Uarini foi um pouco diferente do que acho que você vê... Não achei que ele vive de um jeito tããããããão descolado do mundo assim. Sério. Lembro, por exemplo, que lá eu não estava a fim de ver TV, mas ele via o Jornal Nacional todo dia. Nem eu tenho mais esse hábito tão arraigado. Gosto, mas tenho consciência da perda de tempo que são essas coisas.
Em resumo, acho que o ser humano, em geral, é tosco. Conheço gente muito pobre e cheia de valor, e conheço gente rica, cheia de coisas materiais, mas que, até por isso mesmo, vive distraída das coisas que importam e das outras pessoas, pensando apenas em aparências e coisas assim.
Fora que há um dado nisso tudo que a gente não pode ignorar: de tempos em tempos, fala-se no "mal do século". Esse mal já foi a peste negra, já foi a tuberculose... Hoje é o quê? DEPRESSÃO. Ora, se a civilização sofre de depressão, acho que isso é um indício de alguma coisa. Cada vez mais, vejo gente neurótica por aí, internalizando os valores feios que são difundidos à força - o lucro, a vantagem, a competição, o egoísmo, o consumismo, o estresse e a animalidade dos engarrafamentos etc. etc. etc.
Sinceramente? Muito pouca coisa ainda me une à "sociedade". Ainda mais quando eu vejo o seguinte: é tudo uma selva e salve-se quem puder contar com um apoio legal para usar como trampolim. No meu caso, mesmo tendo nascido no meio de gente rica, bem de vida, fui forçado desde sempre a notar esse lado obscuro das pessoas. Nas ruas, vejo a selva. Em casa, vi a selva também. Não me parece surpreendente que eu mesmo esteja rumando para fora disso tudo. Não sei do que as pessoas atualmente estão atrás. Mas estou vendo quase todo mundo se relacionar de maneiras horrorosas, jogar a vida fora em nome de aparências e de um futuro que não chega nunca.
Em suma: você conhece seu pai milhões de vezes mais do que eu. Mas do pouco que vi, acho que compreendo sim... Não sei sobre a parte de as pessoas o estarem isolando. Isso eu não sei. Da minha parte, isso não acontece. Sou fã dele.
Fora o fato de que ele foi pro mato, mas vive quase como "coroné" daquilo lá. Não virou um monge asceta, morando debaixo da árvore e se alimentando de doações, né? Ele tem carro, tem meia-dúzia de "serviçais"... Acho bastante parecido com o pai DELE. Se a gente for pensar, as gerações de orgulhosos doutores da nossa família se originaram de um coronel tosco e bronco do interior. Não vejo contradição... Mesmo meu avô Hamilton tinha umas fantasias com o campo. Até onde eu sei, a fazenda da tia Ercília rolou por causa dele. E até onde eu sei, ele só não se enfiou por Brasília, Goiás etc. porque minha avó Risoleta não quis ir pro mato.
O lance do meu trabalho, é isso aí mesmo... Acho que apareceu um horizonte novo por aqui. Vamos ver com o tempo até onde isso vai. Vou continuar estudando para o Itamaraty, no ritmo que der, e vamos ver o que acontece.
Mas é isso aí. Se você for no tio Armandinho, muito provavelmente vamos nos encontrar.
Um beijo!!!!"
Quase todos os nomes são ficcionais.
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quarta-feira, 24 de março de 2010
"COMO POSSO SEGUIR ADIANTE, SE NÃO SEI EM QUE DIREÇÃO ESTOU INDO?"
Às vezes olhamos para trás e concluímos que certas passagens de nossas vidas foram realmente clássicos, determinantes de tudo o que se passou depois.
Normalmente, vivemos distraídos da vida, focados em eventos microscópicos, digladiando-nos com inimigos insignificantes, obcecados com resultados que, por mais que nos elevem o ego por um instante, dissolvem-se na estrada da vida como a mais fina e desconsiderável poeira.
Perdemos tempo com tantas besteiras e depois concluímos que a vida passou diante de nós.
O grande John Lennon, "some kind of druid dude lifting the veil", como se auto-intitulou na bela e significativa canção "Mind Games", já disse certa vez:
"a vida é o que acontece enquanto você está ocupado, fazendo planos".
Esse é o espírito.
Este ano, estive na Amazônia. Voltei desnorteado. Agora escrevi uma carta a uma prima, filha do tio-avô que me recebeu de braços abertos no meio da selva.
"Oi, querida!
Não se preocupe com a "demora" do e-mail. Estou agitando mil coisas ao mesmo tempo e nenhuma ansiedade decorreu dessa demora. Até porque estou falando de um assunto bem sério, de uma vida inteira. Não esperava resolver nada de sopetão. Fique realmente tranqüila. Adoro você e continuo adorando todos os nossos contatos.
Mas a questão é a seguinte: estou realmente pensando em abandonar a vida de cidade grande. Hoje em dia, tem muito poucas coisas materiais que me interessam. Preciso ter um teto, preciso de NATUREZA POR PERTO, preciso de calma, preciso comer o mínimo para me manter de pé e GOSTO MUITO apenas de internet, de uma TV com os canais básicos (nem assino mais a NET), um fuminho básico e na hora certa (que pretendo aprender a plantar, para não depender de ninguém)...
Nada além disso. Nada mesmo. O que vai além disso é minha arte, que vou continuar a compor, escrever, cantar, tocar, fotografar etc. pela vida toda. Pretendo inclusive aprender a plantar uma hortinha. Não quero depender do mundo para me alimentar. Quero depender da terra, que é como as coisas realmente são. Não foi nenhuma empresa que me trouxe à vida e não quero mais ter de sustentar empresas para me manter vivo. Cansei.
Uma primeira idéia que me ocorre é fazer um concurso qualquer e pedir transferência para o interior (ou para alguma praia). Ainda não seria o ideal, porque não acho tão boa a idéia de passar a vida amarrado a um compromisso no qual não acredito. Tanto menos quando o dinheiro viria dos cofres públicos. Não simpatizo muito com a idéia de mamar nas tetas do governo. Mas por enquanto é a primeira opção que me ocorre.
Agora me mudei para o Rio de Janeiro mais uma vez. São Paulo se mostrou "pesada" demais para mim, principalmente depois de ter voltado da Amazônia. O choque foi grande demais. Vi que aquilo, a cidade daquele tamanho, com tantas coisas atreladas, com tantos atravessadores e intermediários em tudo o que você quer fazer, com tantas leis mentirosas, com tanto jogo sujo entre política e empresas, com tanta mídia mentindo e tentando fazer o caos parecer mais bonito, não é vida para mim.
Então o que acontece é isso: estou pensando profundamente nisso tudo. Talvez fosse bom voltar a Uarini e trocar umas idéias com o tio Manoel. Fiquei realmente apaixonado por ele (no melhor sentido, é claro, quase que como NETO dele) e queria muito ouvir o que ele pensa.
Agora estou completamente duro, mas pretendo juntar uma grana e tentar voltar lá em breve. Talvez ainda este ano. Por mim, não fossem compromissos de trabalho, eu voltaria lá agora. Voltaria hoje. A mochila eu faço em cinco minutos.
Ainda falando sobre trabalho, te conto que continuo trabalhando com texto. Agora voltei a trabalhar na Mangueira. Lembra que comentei com você sobre a Mangueira? Então. Voltei para lá. Estou novamente trabalhando com educação pública, algo que me dá um prazer bem grande. Eu escrevo aulas. Ajudo os professores a passar o conteúdo pra galera. É uma universidade a distância. Ligada à UAB (Universidade Aberta do Brasil). É um projeto do saudoso Darcy Ribeiro. Atende ao país todo.
(trecho com informações familiares sigilosas)
Mas é isso. Obrigado mesmo por responder. Estou aqui com um milhão de pensamentos, mas estou com um clima bem legal. Quanto a isso, fique tranqüila. Felizmente, já consigo separar bastante as coisas todas. Não é o fato de eu estar paupérrimo, por exemplo, que vai me impedir de ir à praia, namorar e ser feliz. Só estou filtrando e separando o que vale a pena e o que não vale a pena.
Um enorme beijo. Estamos aqui.
Carlos Gustavo".
O título do texto foi retirado da canção "How?", de John Lennon.
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terça-feira, 23 de março de 2010
MINHA NOVELA DAS OITO
domingo, 21 de março de 2010
O SEXO DO RAIO X
- ...já não creio em nada disso.
- mas então de que forma a coisa mudaria?
- de dentro para fora.
- hum. entendi.
Captei a frustração.
- que foi? esperava que eu dissesse o quê?
- nada. é que não acredito em nada de dentro para fora.
- hahaha. vou adorar ouvir sobre isso.
- acho que é tudo socialmente construído. tudo de fora para dentro.
Silenciei e sorri. Olhei para baixo, traguei longamente, enchi os pulmões, prendi, sorri mais uma vez. Ela reagiu.
- hum, em que você está pensando?
- ...
- que eu sou o seu oposto, não é?
- exatamente. a palavra é "oposto". mas acontece o seguinte: diferente da sua idéia de que tudo é construído, e segundo a qual a chamada realidade pessoal será também fruto de construção, algo que pressupõe e até incentiva o conflito diário, material, a fim de livrar o homem da realidade anterior que o aprisiona, eu não acredito mais em choque.
- não acredita em choque?
- não. hoje eu vejo opostos como peças que se encaixam perfeitamente. não vejo choque; vejo complemento.
Momentos depois, após algumas boas variações, surgia um nítido movimento físico de gangorra que se repetiu por várias investidas suadas, com banhos frios e quentes nos intervalos, até que ambos caíssem em êxtase e dormissem abraçados, sem que ninguém precisasse propor.
Separados, tudo parecia a mais pura incompletude.
Toda hora comento aqui, direta ou indiretamente, sobre minhas práticas diárias, sobre minhas teorias, observações, dúvidas e sacações.
É bem claro em mim o tipo de objetivo que pretendo alcançar com isso tudo: nada ligado a status ou a algo que melhore minha própria vida em termos práticos.
Felizmente, consegui chegar a um ponto em que, materialmente, tudo de que realmente preciso é uma cobertura física contra intempéries e um mínimo de alimento e água, apenas a fim de que meu corpo não caia pelo chão como um saco vazio.
Para além disso, tudo o mais é paisagem. Tudo além disso é turismo.
Quando me mudei para o Rio desta vez, estava a um pequeno passo de me unir de forma mais ampla a um certo grupo de monges hindus, herdeiros das idéias do grande e bom Sri Anandamurti. Mantenho com um deles, até agora, uma boa conversa por e-mail. Cada um dedicado a seus afazeres, mas tentando a todo custo perceber a brecha certa para que nos encontremos mais uma vez.
Herdeiros das idéias. Idéias que me surgiram espontaneamente e que, tempos depois, foram sendo repercutidas por um amigo que, um por vez, me encaminhava textos do velho sábio, mostrando que alguém, muito tempo atrás, havia dito as mesmas coisas que eu.
Sempre que decido pôr algo para fora, em palavras, hesito severamente. Penso que talvez seja tudo compreendido como piada, penso que talvez seja entendido como doideira ou mesmo pura exibição estética, em uma época em que as coisas param na forma e ninguém dá por falta do conteúdo... Penso, penso e acabo pensando bastante a cada linha.
Não sei se o que digo ou vivo e passo adiante pode realmente ajudar os demais. Não sei em que ponto de suas auto-descobertas estarão os amigos. É bem freqüente a impressão de que falo sobre temas abstratos demais.
Sendo assim, desta vez, desço à Terra por alguns instantes e toco em um ponto sensível. Talvez, fazendo a coisa como ofereço a seguir, por mais que esteja indicando aqui um caminho torto, eu possa ajudar a quem quer ou acredita que quer ser ajudado.
Ajudado em quê? Na dura tarefa de adaptar-se a um mundo... irregular e, além disso, semear por aí algo que aponte para um futuro melhor - para si mesmo e para todos os que estão em volta.
Desta forma, sem me alongar mais do que já fiz, saibam todos:
concentração, meditação, foco, compaixão, o olhar atento sobre si, sobre os outros e sobre todas as coisas...
reflete-se diretamente no sexo.
Sim, reflete-se diretamente no ato sexual.
Como? De que forma? O que passa a acontecer?
Bem, siga o caminho e veja por si só.
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segunda-feira, 15 de março de 2010
SHAKYAMUNI E A IDADE DE CRISTO
Hoje, às novequinze da manhã, alcancei a marca mística dos 33 anos de idade.

Lembro vagamente de um episódio do Chaves.
Não o Chaves venezuelano, mas sim o Chaves do oito. El Chavo del ocho. O Diógenes moderno, que mora em um barril e que só abandona a contemplação em nome de um bom sanduíche de presunto.
No tal episódio, alguém aproximava-se de nosso querido senhor Madruga e, a fim de dar-lhe uma lição de moral, dizia que Fulano de tal, em sua idade, já era presidente da República.
Neste ponto, lembro também de Raul Seixas, com seus brilhantes versos:
"mamãe, não quero ser prefeito. Pode ser que eu seja eleito e alguém pode querer me assassinar. Eu não preciso ler jornais. Mentir sozinho, eu sou capaz. Não quero ir de encontro ao azar. Papai, não quero provar nada. Eu já servi à pátria amada e todo mundo cobra a minha luz. Ó, coitado, foi tão cedo. Deus me livre, eu tenho medo. Morrer dependurado numa cruz. Eu não sou besta pra tirar onda de herói. Sou vacinado, sou caubói. Caubói fora-da-lei. Durango Kid só existe no gibi e quem quiser que fique aqui. Entrar pra história é com vocês".
No saudoso blogue O Idiota Analógico, já cheguei a considerar:
"gerações de glória me oprimem com seus padrões inalcançáveis".
Hoje, às novequinze da manhã, alcancei a marca mística dos 33 anos completos.
Wolfgang A. Mozart compunha desde os seis. Arthur Rimbaud atingiu o ápice aos dezessete.
Mitos do roquenrou costumam falecer aos vintessete. Já passei da idade de me tornar um deles.
Ainda assim, aos trintetrês, ainda tenho a chance de ser um... bem...
Sidarta Gautama nasceu como príncipe, em Kapilavastu, capital do reino dos Shákyas, no norte da Índia, no sopé da cordilheira do Himalaia, em meados do século VI a.C..
Sidarta era filho do rei Shudodana e da rainha Maya, que veio a falecer sete dias após ter dado à luz o príncipe. Devido a isso, ele acabou sendo criado por uma tia.
O jovem Sidarta foi criado sob hiper-proteção paterna, devido a uma profecia que dizia que, se ao crescer, Sidarta se tornasse um rei, ele unificaria e dominaria todos os reinos. Já se viesse a abandonar tudo e passasse a trilhar os caminhos de um monge errante, ele se tornaria um Buda, um Iluminado.
Assim, Sidarta cresceu sem ter o mínimo contato com os sofrimentos inerentes à vida humana, tais como o envelhecimento, a doença e a morte.
Aos 29 anos de idade, porém, movido por um desejo insaciável de encontrar a Verdade sobre a existência humana, Sidarta deixa o palácio e se dirige para a floresta, onde passa 6 anos como monge asceta, em companhia de outros 5 monges.
No final desse período de 6 anos de austeridade, ele conclui que não era esse o caminho que o levaria ao Despertar. Deixando de lado esse sistema, passa a praticar e desenvolver, por si só, um tipo de meditação de instrospecção que acaba por levá-lo ao “Despertar da Mente Búdica”, à Iluminação, que consiste em obter o conhecimento correto sobre si mesmo e sobre todas as coisas.
No ponto do despertar, Sidarta Gautama tinha então 35 anos de idade. Foi quando passou a ser conhecido como Shakyamuni, o sábio do povo dos Shákyas, ou como o Buda, o Desperto, o Acordado, o Iluminado.
Até sua morte, aos 80 anos de idade, Shakyamuni, o Buda, procurou transmitir a sua vivência aos outros, que, juntando-se a ele como discípulos, acabaram por formar uma grande comunidade, que acabou por perpetuar os ensinamentos do Buda até os nossos dias.
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segunda-feira, 8 de março de 2010
MULHER, MULHER, MULHER

Veja o clipe oficial
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher, a mulher
A mulher, a mulher!
Melhor que uma mulher
Só dez mulher
Só dez mulher
Melhor que dez mulher
Só mil mulher
Só mil mulher
Uma mulher, duas mulher,
Três mulher, quatro mulher
Cinco mulher, seis mulher
Sete mulher, oito mulher
Nove mulher, dez mulher
[refrão]
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher, a mulher
A mulher, a mulher!
Melhor que uma mulher
Só dez mulher
Só dez mulher
Melhor que dez mulher
Só mil mulher
Só mil mulher
Uma mulher, duas mulher,
Três mulher, quatro mulher
Cinco mulher, seis mulher
Sete mulher, oito mulher
Nove mulher, dez mulher
[refrão]
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Salve a mulher brasileira
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sexta-feira, 5 de março de 2010
UM CORDEL PARA GEORGE ORWELL
BIG BROTHER BRASIL
Autor: Antonio Barreto,
Cordelista natural de Santa Bárbara-BA,
residente em Salvador.
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo
Um programa tão 'fuleiro'
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, 'zé-ninguém'
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme 'armadilha'.
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bial
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério, não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os "heróis" protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
"professor", Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral...
Isso é um desserviço
Mau exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos "belos" na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo
É de nos "emburrecer"
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer...
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês, caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então siga, animal.
FIM
Salvador, 16 de janeiro de 2010.
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
HÁ QUEM DIGA
A7 Dm C
Há quem diga que eu dormi de touca
Bb A7
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Gm Dm7
Que eu caí do galho e que não vi saída
E7 A7
Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Dm7 C
Há quem diga que eu não sei de nada
Bb A7
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Gm Dm7
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E7 A7
E que Durango Kid quase me pegou
Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos nisso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse carnaval
Dm7 C
Eu quero é botar meu bloco na rua
Bb A7
Brincar, botar pra gemer
Dm7 C
Eu quero é botar meu bloco na rua
Bb A7
Gingar pra dar e vender
(Sérgio Sampaio - 'Eu quero é botar meu bloco na rua')
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
OUVIR, CONTEMPLAR E MEDITAR
Dirijo-me a todos os seres sencientes.
Todos aqueles que sentem, independente de serem - ou do quanto sejam - conscientes.
Uma vez eu li uma coisa simples:
"A quem os deuses mundanos podem ajudar, se eles mesmos estão confinados na prisão do samsara? Assim, quando você procurar ajuda, tomar o refúgio genuíno nas Três Jóias é a prática de um bodhisattva".
Pode parecer complicado, mas vou destrinchar parte por parte.
Deuses mundanos são santos, semideuses, guerreiros alçados ao patamar do divino etc.
Imagine uma coisa: em todo conflito que se trave entre pessoas, há sempre interesses sendo defendidos de ambos os lados. Lados que existem, que surgiram no mundo ao mesmo tempo e cuja existência não está relacionada à dos demais. Prova disso é que ambos os lados nasceram e estão aí.
Para o equilíbrio de todas as coisas, não faz diferença que estejam ambos aí. Logo, todos esses aparentes conflitos poderiam se dar em escalas mais tranqüilas, se ambos os lados tivessem a consciência da existência e da legitimidade do outro.
A guerra é o esgotamento dos recursos diplomáticos. Encará-la como algo nobre é escolha das pessoas. Não há nada de nobre em, em nome de se preservar a existência de um, eliminar a existência de outro. Não foi nenhum governo ou exército que te trouxe à vida e não cabe a nenhum desses agentes o direito de tirá-la.
Pensando assim, que valor haverá em um guerreiro? Que valor haverá em um guerreiro, algum valor que o coloque acima das limitações e das paixões humanas?
Não haverá. Portanto, recorrer a um guerreiro para solucionar seus problemas internos será insistir no erro de acreditar que o problema é externo.
A chamada prisão do samsara é nada além dos efeitos repetitivos das ações repetitivas do homem. Eliminando-se qualquer misticismo da sabedoria oriental, fica claro que estamos constantemente sofrendo os efeitos dos erros que repetimos ad nauseum. Quando o hinduísmo fala em romper com ciclos, é realmente a isso que se refere. Um guerreiro eterno, por exemplo, estará para sempre condenado a combater aqueles que sentem os efeitos de sua espada.
Estará ocupado o suficiente com isso.
As três jóias de um bodhisattva são:
.ouvir;
.contemplar;
.meditar.
Um bodhisattva é, literalmente, um ser de sabedoria. É alguém que se dedica a conhecer e, a partir do que reúne, passar adiante ao resto das pessoas, a fim de elevar o nível geral do planeta.
Existem trintessete práticas para um bodhisattva.
Transmito-as aqui abertamente. Como dizia nosso querido J.C., algumas sementes caem sobre rocha, mas outras caem sobre solo fértil.
Não preciso ser nada especial para me julgar no direito de dizer:
nós, que não vemos beleza no sofrimento, precisamos de toda ajuda possível.
[1] Tendo obtido o livre e bem favorecido nascimento humano,
Tão difícil de vir e tão poderoso,
Perseverando firmemente, noite e dia,
Para liberar a si e aos outros do oceano do samsara —
Ouvir, contemplar e meditar
É a prática de um bodhisattva.
[2] Diante dos amigos, apego como água turbulenta;
Diante dos inimigos, ódio como o fogo raivoso;
Obscurecidos pela ignorância, esquecemos o que deve
E o que não deve ser feito —
Deixar para trás a terra natal
É a prática de um bodhisattva.
[3] Quando as más circunstâncias são deixadas para trás,
As emoções e crenças obscuras diminuem gradualmente.
Sem distrações, a persistência diante da virtude aumenta naturalmente.
À medida que a consciência se esclarece, surge a certeza no Dharma —
Passar o tempo em solidão
É a prática de um bodhisattva.
[4] Durante a morte, a consciência visitante deixa o corpo para trás,
Como um hóspede deixando uma pensão,
Deixando para trás as pessoas amadas com quem ficamos por muito tempo,
Deixando para trás a riqueza ganha através do esforço.
Assim, abandonar as preocupações desta vida
É a prática de um bodhisattva.
[5] As pessoas com quem você está,
Que aumentam os três venenos,
Que enfraquecem as práticas do ouvir, contemplar e meditar,
Que minam a bondade amorosa e a compaixão —
Abandonar as más amizades
É a prática de um bodhisattva.
[6] Aqueles de quem você depende, que colocam fim aos vícios,
Que fazem aumentar as boas qualidades, como a lua crescente —
Manter estes amigos espirituais
Como sendo mais preciosos
Do que o seu próprio corpo
É a prática de um bodhisattva.
[7] A quem os deuses mundanos podem ajudar
Se eles mesmos estão confinados na prisão do samsara?
Assim, quando você procurar ajuda,
Tomar o refúgio genuíno nas Três Jóias
É a prática de um bodhisattva.
[8] O Buddha disse,
"O resultado das ações negativas
É o sofrimento dos reinos inferiores, tão difícil de suportar."
Portanto, não cometer atos ruins
Mesmo ao custo da própria vida
É a prática de um bodhisattva.
[9] A felicidade dos três mundos
É como o orvalho sobre uma folha de grama,
Que desaparece em um instante.
Esforçar-se pelo estado supremo —
A liberação que nunca muda —
É a prática de um bodhisattva.
[10] De que adianta a felicidade pessoal
Se cada mãe, que foi tão afetuosa com você
Desde um tempo sem início, está sofrendo?
Assim, para liberar um infinito número de seres sencientes,
Gerar a mente da iluminação
É a prática de um bodhisattva.
[11] Sem exceção, todo sofrimento vem
De querer felicidade apenas para si mesmo;
Os buddhas perfeitos são nascidos da aspiração de beneficiar os outros.
Assim, trocar verdadeiramente a própria felicidade
Pelo sofrimento dos outros
É a prática de um bodhisattva.
[12] Mesmo se alguém de grande cobiça
Roubar toda a sua riqueza, ou se alguém a roubou,
Dedicar ao ladrão o seu corpo,
Suas alegrias e seu mérito —
Passados, presentes e futuros —
É a prática de um bodhisattva.
[13] Mesmo se alguém cortar fora a sua cabeça,
Sem você nada ter feito de errado,
Tomar as negatividades daquela pessoa
Através do poder da compaixão
É a prática de um bodhisattva.
[14] Mesmo se alguém difamá-lo
Pela extensão de um bilhão de universos,
Falar das boas qualidades daquela pessoa
Com uma mente cuidadosa
É a prática de um bodhisattva.
[15] Mesmo se alguém insultá-lo no meio de uma multidão,
Apontando suas falhas escondidas —
Reverenciá-lo respeitosamente,
Vendo aquela pessoa como um amigo espiritual,
É a prática de um bodhisattva.
[16] Mesmo se alguém que você cuidou
Como se fosse o seu próprio filho
Considerá-lo como um inimigo —
Ser especialmente afetivo diante dele,
Como uma mãe cujo filho está doente,
É a prática de um bodhisattva.
[17] Mesmo se alguém, igual ou inferior a você,
Tratá-lo com desprezo e arrogância —
Colocá-lo respeitosamente acima de você,
Como você faria com seu professor,
É a prática de um bodhisattva.
[18] Mesmo que você esteja sem dinheiro,
Desprezado continuamente pelos homens,
Terrivelmente doente, golpeado pelas forças maléficas —
Tomar para si mesmo todos os atos ruins
E sofrimentos dos outros, sem perder a afeição,
É a prática de um bodhisattva.
[19] Mesmo sendo bem conhecido e respeitado,
Tão rico quanto Vaishravana —
Tendo visto que a riqueza e glória mundanas são sem essência,
Estar livre da arrogância
É a prática de um bodhisattva.
[20] Enquanto o inimigo interior, o próprio ódio, permanecer descontrolado,
Tentar subjugar os inimigos externos fará apenas aumentá-los ainda mais.
Portanto, domar o próprio fluxo mental
Com as forças da bondade amorosa e da compaixão
É a prática de um bodhisattva.
[21] O desejo é como beber água salgada —
Quanto mais você deixa, mais o apego aumenta.
Deixar ir imediatamente tudo o que faz surgir o apego
É prática de um bodhisattva.
[22] Os fenômenos aparentes, todos eles,
São fabricações da mente;
A natureza inata da mente
É separada das fabricações da mente.
Tendo visto isso, não se envolver com a percepção dualista
Ao ver coisas belas,
[23] Abster-se do apego ao ver os objetos
Como sendo tão amáveis e irreais
Quanto os arco-íris de verão,
É a prática de um bodhisattva.
[24] Tomar as aparências ilusórias como sendo reais
É tão exaustivo quanto ver a morte do próprio filho em um sonho —
Nossos muitos sofrimentos são assim.
Deste modo, considerando como fantasias
Os acontecimentos não desejados da vida,
[25] Aqueles que querem a iluminação
Devem dar seus próprios corpos se for necessário,
Sem falar também da doação de coisas externas.
Dar generosamente — sem esperança ou recompensa,
E sem o desejo de resultados —
É a prática de um bodhisattva.
[26] Sem ética, você não poderá alcançar benefício nem mesmo para si;
Então, querer beneficiar os outros será apenas uma piada.
Portanto, manter a ética que é livre de apego a este mundo
É a prática de um bodhisattva.
[27] Tudo o que é danoso é como um tesouro de jóias
Para o bodhisattva, que deseja os prazeres da virtude.
Assim, cultivar a paciência sem ódio ou ressentimento,
Diante de qualquer um,
É a prática de um bodhisattva.
[28] Apesar dos ouvintes e realizadores solitários
Realizarem benefício para si mesmos,
Eles se esforçam como se colocassem fogo em seus cabelos.
Fazer esforços dos quais nascem
As boas qualidades que beneficiam a todos os seres
É a prática de um bodhisattva.
[29] As emoções e crenças obscuras
São completamente conquistadas pela meditação analítica,
Que foi totalmente integrada com a meditação estabilizadora.
Compreendendo isto, praticar estados meditativos estáveis,
Além dos quatro estados de absorção mental do reino sem forma,
É a prática de um bodhisattva.
[30] Já que a iluminação perfeita não pode ser obtida
Apenas com cinco perfeições, sem sabedoria,
Cultivar a sabedoria que é livre dos conceitos,
Possuidora da pureza tríplice e dos meios hábeis,
É a prática de um bodhisattva.
[31] Se você não examinar sua confusão,
Você pode se tornar um charlatão
Disfarçado como um praticante de Dharma.
Portanto, sempre examinar a própria confusão
E então deixá-la para trás
É a prática de um bodhisattva.
[32] Devido à força das emoções e crenças obscurecidas,
Falar das falhas dos bodhisattvas
Cria máculas em si mesmo.
Portanto, não falar das falhas daqueles
Que estão no grande caminho
É a prática de um bodhisattva.
[33] As atividades do ouvir, contemplar e meditar
Tornam-se maculadas quando discutimos sobre bens e serviços.
Deixar o apego aos lares de amigos e benfeitores
É a prática de um bodhisattva.
[34] Ao falar de maneira rude,
A conduta de um bodhisattva torna-se maculada
E os outros seres sencientes são perturbados.
Portanto, abandonar as palavras rudes
E desagradáveis às mentes dos outros
É a prática de um bodhisattva.
[35] Uma vez acostumado aos estados densos e crenças primitivas
E habituado às emoções obscuras,
É difícil de revertê-las com antídotos.
Portanto, brandindo a arma da atenção,
Conquistar os estados mentais obscuros imediatamente quando surgirem
É a prática de um bodhisattva.
[36] Em resumo:
O que quer que você faça, em qualquer lugar onde esteja,
Olhe para o seu estado mental.
Manter continuamente a consciência atenta
Para realizar benefício aos outros
É a prática de um bodhisattva.
[37] Dedicar o mérito realizado pelos seus esforços
Para superar o sofrimento
De todos os seres sencientes —
Através da sabedoria completamente pura,
Livre dos conceitos de doador, recebedor e doado —
É a prática de um bodhisattva.
.
Texto do "autor":
Namo Lokeshvara,
Ininterruptamente, em ardorosa homenagem de corpo, fala e mente, inclino-me diante dos mestres supremos e do protetor Avalokiteshvara, que, cientes de que nada tem ida ou volta, trabalham unicamente para o bem de todos os seres.
Os buddhas perfeitos, fonte de todo o bem e de toda a felicidade, surgem da realização do Dharma sagrado. Doutrina. Como isto vem do conhecimento e do seu exercício, passo a explicar as práticas de um bodhisattva.
(...)
Para aqueles que desejam treinar no caminho do bodhisattva,
Apresentei estas Trinta e Sete Práticas de um Bodhisattva,
Baseadas no significado relatado nos sutras, tantras e shastras,
De acordo com as palavras dos seres sagrados.
Porém, já que é difícil para uma pessoa de baixo intelecto, como eu, compreender em profundidade a vasta conduta dos bodhisattvas, peço a paciência dos seres sagrados com quaisquer erros da lógica escrita, e assim por diante.
Por este mérito, possam todos os seres sencientes,
Através da suprema bodhichitta absoluta e relativa,
Se tornar como o senhor Avalokiteshvara,
Que está além dos extremos do nirvana e do samsara.
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