sexta-feira, 27 de agosto de 2010
HORÁRIO ELEITORAL ELITISTA
Amigo brasileiro,
você me conhece.
Desta vez, venho aqui falar diretamente às elites mais elites das elites.
Talvez você não me compreenda desta vez. Ainda assim, eu digo: confie.
Ou não confie.
Mas deixa eu me adiantar, caro amigo eleitor, porque o tempo do candidato adversário, do parcial - digo, do partido adversário - concentra mais investimentos e tem mais tempo na TV, já que tem mais gente eleita pelo discurso dos seus sócios e coisa e tal.
Amigo brasileiro, amigo da elite, você já sabe:
A GNOSE VAI ALÉM DA EPISTEME.
Então faça o que deve ser feito pelo nosso querido povo brasileiro.
Vote em mim, vote em quem for. Vote em si mesmo, tanto faz.
Mas use o que você mesmo prega: a gnose.
Seja racional, seja pragmático, seja o que quiser. Mas você sabe que ela vai além da episteme.
A chave da violência, a gente já conheceu: é o sofrimento. A gente sabe disso. Porque a gnose vai além da episteme.
A chave do sofrimento, a gente também já conheceu: é a ausência (que os judeus chamam de inferno), esteja ela na dimensão em que quisermos considerá-la: material, espiritual, intelectual, moral, estética etc.
Pratique todos os chacras, caro amigo da elite mais elite das elites.
A gnose vai além da episteme.
Você sabe disso.
No dia 3 de outubro,
NULO Leal Maia
Número 00 (PG)
Partido da Gnose
Vote nos deputados, senadores, vereadores e síndicos do Partido da Gnose.
Este texto é amparado pela lei eleitoral recentemente aprovada em Brasília, que autoriza os súditos brasileiros a fazerem piadas sérias e não sérias sobre política em tempos de eleições. Se a lei for revogada, retiro o texto do ar no mesmo momento. Não acredito em embates com o rei, seja ele quem for, seja qual for o tempo, seja qual for o pedaço de terra em que habitemos, seja ele denominado feudo ou Estado Nacional. Acredito em homens de boa-vontade agindo de boa fé a partir do poder que detêm nas mãos. Qualquer idéia diferente disso, esteja amparada no cabedal teórico mais complexo que for, será apenas um teatro.
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
PITÁGORAS E O AVATAR
"Os Números-Mestres são uma oitava superior dos números simples" - Pitágoras.
Uma oitava acima. Nem preciso dizer que entendo.
É, a curiosidade pode ter matado o gato, mas, antes disso, certamente o levou a vários lugares.
Antes de mais nada, meu número-mestre é 33.
15/03/1977 = 1 + 5 + 3 + 1 + 9 + 7 + 7 = 33.
"Em relação ao número-mestre 33, o número dos mestres de luz e avatares, chega a ser prolixo ter que falar de um número como este, tamanha sua repercussão em todo o meio esotérico. Quem quiser saber mais, basta procurar que vai achar.
Ainda assim, há a citação: “Uma vez que a consciência do 33 quase ultrapassa a da humanidade e é semelhante à de Cristo em expressão, um lugar em meio ao clero ou o sacerdócio poderia conduzi-lo ao reino dos seus sonhos, como um salvador do mundo.” (Javane, Faith e Bunker, Dusty, A numerologia e o triângulo divino, 15ª edição. São Paulo: Pensamento. 1979. p. 29).
Se você tem um número-mestre em sua data de nascimento, e principalmente o 33 (o número dos mestres cósmicos e avatares), talvez seja o tempo de parar, analisar sua vida e ver se realmente está fazendo aquilo que sente que deveria fazer".
Bem, clero eu não diria - associado a que Igreja?
De qualquer forma, preciso reler sobre sadvipras.
Parar, analisar e ver já está rolando. É como diz uma amiga:
"tu pára, tu pensa, tu pira".
Número da Lição de Vida: calcule o seu.
A data de nascimento de mestres cósmicos e avatares
Por rudyrafael
A numerologia esotérica, criada por Pitágoras, é a ciência da compreensão de toda a manifestação cósmica através dos números. Tudo que existe, cada palavra, cada nome, vibra de acordo com o seu número e cada número tem o seu próprio significado. Pitágoras identificou a função dos números na escola do macro e do microcosmos. No macro, através da aplicação dos princípios universais, as leis cósmicas, e no micro, como características pessoais e reflexos da escala cósmica dentro de cada individualidade. Assim como na astrologia a carta natal (“mapa astral”) utiliza o momento exato do nascimento da pessoa (data, horário e local de nascimento), na numerologia existe o número de Lição de Vida, que é o número baseado na data de nascimento da pessoa.
O número da Lição de Vida representa a missão maior de cada pessoa na Terra. É através deste número que a pessoa deve orientar a escolha dos seus caminhos para que possa cumprir sua missão. Existe a missão, porém, existe o livre-arbítrio. Todos nós nascemos pré-dispostos a algo e o que impede de haver a pré-destinação é justamente o livre-arbítrio. Esta pré-disposição decorre de vários fatores, como méritos e débitos kármicos, lições e missões e etc. Ex.: você nasce pré-disposto a ficar com determinada pessoa no campo afetivo, mas você pode escolher não ficar com esta pessoa. Pode achar que ela mora muito longe, que ela é muito pobre, muito feia e exercer o livre-arbítrio da forma que você quiser. É o número de Lição de Vida o momento de nascimento, o momento onde há o influxo da energia e da consciência cósmica em cada um de nós, no momento que respiramos e há a animação do corpo pela alma.
Na numerologia, existem outros números como os que são baseados no nome da pessoa; porém, o nome pode ser alterado (vários artistas fizeram isso, como Jorge Ben que virou “Jorge Ben Jor”, Marina que virou “Marina Lima” entre outros). O número de lição de vida é o único número que não pode ser modificado. É o número de onde há decreto cósmico para a vida de cada pessoa. Pode-se mudar o nome, mas não a data de nascimento. Este decreto cósmico também confere a cada um dom para guiar o seu destino. Sua missão, suas pré-disposições. É o desafio de cada uma, a lição que cada aprenderá ao cumprir a missão para o qual veio. É o professor que aprende ensinando, é o instrutor que ensina e aprende com o aprendiz. Todos nós temos algo a aprender, não há ninguém que não tenha algo a ensinar e ninguém que não tenha algo a aprender.
No cálculo da numerologia há a redução dos números, onde sempre vai se reduzir o número até que fique somente em um único digíto. Ex.: 19 = 1 + 9 = 10 -> 1 + 0 = 1. Entretanto, existem 4 dígitos duplos que não são reduzidos. São os chamados “números-mestre”. São números mais fortes que representam mais oportunidades de expressão e poder, entretanto, obedecendo o equilíbrio cósmico, existe cobrança maior. Existe um provérbio místico que diz: “A quem muito é dado, muito será cobrado”. E, pessoas com números-mestre, precisam ter um esforço maior para expressar as forças destes números pelo qual são regidas. São os números-mestre: 11, 22, 33 e 44 (alguns numerólogos consideram 55, 66, 77, 88 e 99 como números-mestre também, mas são minoria).
Importa ressaltar que o número-mestre nem sempre tem sua função manifesta na vida de uma pessoa. Quer dizer: não é por ter um número-mestre que a pessoa seja melhor que outrem. Tudo depende da pessoa. Para saber quem manifesta verdadeiramente a força do número, basta seguir o ensinamento de Jesus: “pelos frutos conhecereis a árvore”. É natural que uma pessoa que exerça a força e energia do número-mestre terá um diferencial, se não tem, é porque não manifesta esta energia (isso se vê nas pessoas sem talento e genialidade alguma, que não fazem a diferença em nada e que vivem suas vidas como todas as outras). Ocorrendo isso, deve-se reduzir novamente o número. Ex.: 11 = 1+1 = 2, 22 = 2+2 = 4 e etc. Como possibilidades de números da lição de vida (data de nascimento) tem-se: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 11, 22, 33 e 44.
O cálculo, se faz assim: Suponhamos que alguém nasceu em 02 de março de 1.962 (02 de março de 1.962 = 02/03/1962). Você soma todos os números = 2 + 3 + 1 + 9 + 6 + 2 = 23. Como não é um número-mestre (11, 22, 33, 44 (55, 66, 77, 88 e 99 para outros também)), você reduz mais uma vez = 2 + 3 = 5. O número da lição de vida desta pessoa é 5. A minha data de nascimento é 05 de agosto de 1.982 (05/08/1982). Somando: 5 + 8 + 1 + 9 + 8 + 2 = 33. Como é um número-mestre, não se reduz. O meu número de lição de vida é 33. Deixo aqui uma descrição dos números-mestre, da numeróloga Lyndha de Araújo (o número relacionado à maestria espiritual e a função de Avatar é o 33).
“Os Números Mestres:
São uma oitava superior dos números simples. Esses números são interpretados em um mapa, em condições especiais, geralmente em adultos, pois uma criança não consegue lidar com a energia dos números mestres nos primeiros anos de vida. Algumas pessoas que os possuem, podem estar totalmente inconscientes de seu potencial, e até expressando o lado negativo deles. Os números mestres têm muita força quando aparecem nas posições básicas de um mapa numerológico.
11 Idealista – Positivo: Intuição, perfeccionismo, simpatia, paciência, humanitarismo, espiritualidade, percepção extra-sensorial, clarividência. Negativo: Desonestidade, fanatismo, desorientação, mesquinhez, preguiça.
22 Construtor – Positivo: Potencial para conquistar finanças e influência, lealdade, culto, prático Negativo: Indiferença a humanidade, manipulação, excesso de vaidade, frieza.
33 Líder – Positivo: Controle de suas emoções, harmonia, capacidade de comando, mestre espiritual, avatar. Negativo: Insensibilidade, excentricidade, violência, futilidade, frieza.
44 Eficiência – Positivo: Poder de cura, solução para os problemas alheios, controle mental. Negativo: Mau uso das atividades mentais, apossar-se de idéias e projetos alheios.
Em relação ao número-mestre 33, o número dos mestres de luz e avatares, chega a ser prolixo ter que falar de um número como este, tamanha sua repercussão em todo o meio esotérico. Quem quiser saber mais, basta procurar que vai achar. Ainda assim, há a citação: “Uma vez que a consciência do 33 quase ultrapassa a da huumaniade e é semelhante à de Cristo em expressão, um lugar em meio ao clero ou o sacerdócio poderia conduzi-lo ao reino dos seus sonhos, como um salvador do mundo.” (Javane, Faith e Bunker, Dusty, A numerologia e o triângulo divino, 15ª edição. São Paulo: Pensamento. 1979. p. 29).
Se você tem um número-mestre em sua data de nascimento, e principalmente o 33 (o número dos mestres cósmicos e avatares), talvez seja o tempo de parar, analisar sua vida e ver se realmente está fazendo aquilo que sente que deveria fazer.
copiado na íntegra daqui.
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domingo, 8 de agosto de 2010
KARMA POLICE
Karma Police,
for a minute there, I lost myself.

Por um minuto, me perdi.
Perdi tempo, paz, um pedacinho da aventura terrestre, magoei meu semelhante, feri a mim mesmo, fiz a festa na lata de lixo da existência.
Perdi, ganhei. Ganhei a perda e ganhei a própria aventura terrestre, tão... intensamente adjetivável.
Fui eu, na santa, distraído para o monstro da impermanência.
Graur!
Para cima. Para cima. Sempre nadando para cima.
Aí vem o acaso e me diz, entre conversas de taxistas, que soam como instrumentos afinados da lógica universal, emitindo cada um em sua vez, no ponto e no horário certinho, dirigidos a mim, que estou sentado exatamente no camarote que me foi destinado, de olhos e ouvidos atentos, reunindo cada vírgula e cada coincidência:
"Muitas pessoas são hipersensíveis. Elas não podem suportar barulho, agressão e o ritmo apressado da sociedade moderna. Geralmente sofrem de distúrbios psicossomáticos e insônia. Aquilo que os outros aceitam como certo, como ir a festas de família, por exemplo, para elas é uma tarefa difícil. Muitas vezes, fazer algo que outras pessoas consideram normal pode ser uma tragédia para elas.
Quando crianças, elas geralmente são mal compreendidas e subestimadas. Como têm dificuldade para se defenderem e entram facilmente em devaneio, o período escolar é difícil para elas. Construir uma carreira e tornar-se bem sucedido de acordo com os padrões da sociedade não funciona para essas pessoas. Bem ou mal, elas acabam progredindo mais ou menos à margem da sociedade, pois participar das atividades predominantes no meio social é, para elas, cansativo e debilitante. Devido a tudo isto, a auto-imagem dessas pessoas não é das mais positivas; muitas vezes elas se sentem inseguras e inferiores. Seus pensamentos são sombrios e podem se repetir indefinidamente.
É lógico que esta imagem é um tanto exagerada. Entretanto, muitas pessoas se reconhecerão parcialmente nesta descrição.
Vamos agora focalizar alguns dos traços positivos das pessoas hipersensíveis. Elas apreciam a paz e a serenidade e anseiam por viver em harmonia com seus companheiros humanos. São sensíveis à beleza, especialmente a da natureza. São muito empáticas e abertas à espiritualidade. Possuem uma imaginação muito rica. Para surpresa delas mesmas, pessoas que estão em dificuldades são naturalmente atraídas a elas e lhes pedem conselhos.
O que acontece com essas pessoas? A resposta é que elas não são apenas hipersensíveis, elas são altamente sensíveis. De fato, elas são anjos disfarçados.
O QUE É ALTA SENSIBILIDADE?
Todos os seres vivos emitem uma certa vibração ou aura: as flores, o sol, as pessoas, os animais, as plantas, e inclusive a sociedade humana como um todo. Você é altamente sensível quando a sua vibração, a sua aura, é mais refinada e delicada do que a vibração da sociedade humana.
Imagine um anjo radiante e belo descendo do Céu para nascer num corpo humano, numa metrópole moderna. Este anjo tem dificuldade para lidar com o barulho, o caos e a feiúra do mundo à sua volta. Onde está a serenidade e a beleza da natureza? Onde estão as flores? Onde está o conhecimento interior profundo, o sentido de unidade com o cosmos? O anjo se sente frustrado e hostilizado. O mundo ao seu redor não o alimenta nem o reconhece. O anjo começa a pensar que há algo de errado com ele e torna-se triste e deprimido. Como não se sente à vontade aqui, ele se recolhe e anseia vagamente por uma outra realidade. As pessoas à sua volta consideram-no um sonhador que não quer encarar os fatos da vida. A luz do anjo diminui. E ele, que no começo era altamente sensível, se torna hipersensível.
VOCÊ PODE SE PERGUNTAR POR QUE ESSE ANJO ENCARNOU NA TERRA.
Muitos anjos estão encarnados na Terra e cada anjo tem seu próprio motivo para estar aqui. Mas existe um motivo geral: para ajudar a Terra. Através da presença de todos esses anjos, a sociedade humana como um todo adquire mais luz e sensibilidade. A presença angélica eleva a vibração do mundo. Isto acontece especialmente quando os anjos se lembram quem são e quando sua autoconfiança é restaurada. É então que a luz deles realmente brilha!
AGORA IMAGINE QUE VOCÊ É ESSE ANJO
O que você pode fazer para se tornar radiante outra vez, para transformar sua hipersensibilidade em alta sensibilidade?
1o PASSO – RECONHEÇA QUE VOCÊ É UM ANJO.
Reconheça que você é um anjo e não tenha medo de mostrá-lo. Acredite na sua própria luz, nas suas capacidades criativas e supere seu medo de se expor. Este é o primeiro passo.
Como fazer isto? É importante conectar-se com a espiritualidade. Veja o mundo de uma perspectiva espiritual, lembre-se do reino atemporal de amor e beleza de onde você veio e ao qual pertence. Você sempre esteve em contato com essa realidade sutil, etérica. Agora dê mais um salto e acredite realmente que ele existe. No momento em que se conecta com ele, você também se conecta com sua própria essência interior e começa a perceber quem você realmente é. Você se lembra que sua consciência é eterna e que é uma fonte magnífica de luz e criatividade.
No momento em que se sente parte desse outro reino, que é o seu verdadeiro lar, o julgamento da sociedade humana a seu respeito torna-se muito menos pesado para você. Você compreende que sua estadia aqui é apenas temporária e que um dia esta sociedade frenética e caótica desaparecerá e dará lugar a uma sociedade mais pacífica, harmoniosa e feliz. O que a sociedade atual pensa de você e espera de você não é mais tão importante. O mais importante é o que você veio fazer aqui, como você vai manifestar a sua luz neste mundo.
Ao compreender e sentir a sua verdadeira origem, você acende sua própria luz. A luz é criativa e transformadora. Você percebe que o ambiente ao seu redor começa a lhe responder de maneira diferente. A vida flui com mais facilidade e as pessoas o levam mais a sério. Você deu um primeiro passo fundamental na transição da hipersensibilidade para a alta sensibilidade.
2o PASSO – CONSCIENTIZE-SE DA SUA ENERGIA MASCULINA
Você só é capaz de doar verdadeiramente a sua luz aos outros, se também for capaz de não doá-la. Se você não consegue dizer “não” para as pessoas, o seu “sim” não tem nenhum sentido. Aprender a estabelecer limites e se defender é essencial. Se não fizer isto, sua energia fluirá por um poço sem fundo e você se sentirá permanentemente fraco e esgotado.
Para impedir que isto aconteça, você precisa entrar em contato com a sua energia masculina. Muitas pessoas que estão voltadas para a espiritualidade possuem uma imagem negativa da energia masculina, associando-a com violência, opressão e agressividade e considerando-a não espiritual. Como resultado desta atitude negativa diante da energia masculina, muitas pessoas voltadas para a espiritualidade e hipersensíveis sentem-se privadas do seu poder e incapazes de se defenderem.
A solução é entender que não há nada de errado com a energia masculina em si; o que causa problemas é o desequilíbrio entre o masculino e o feminino. Ao enxergarem a energia masculina como inferior, muitas pessoas debilitam a sua própria força. Isto acontece particularmente com as mulheres sensíveis. Se você está passando por um processo de crescimento espiritual, é especialmente importante que se conecte com sua energia masculina.
Logo que der o 1o PASSO e se tornar mais consciente de quem realmente é, você começará a se distinguir energeticamente do seu ambiente. Sua luz será notada. Isto atrairá para você o que eu chamo de sanguessuga de energia. São pessoas ou outras entidades, como por exemplo a empresa onde você trabalha, que se alimentarão da sua energia. Elas o despojam da sua energia sem lhe dar nada em troca. Se você não for capaz de se proteger num ambiente como esse, estará em apuros.
Nesse ponto, você precisa usar a sua força masculina. Acolha a sua parte masculina, o seu homem interior, e confie nele. Deixe que ele tome a forma de uma espada na sua mão, que rompe os vínculos entre você e tudo que o priva da sua energia.
Uma armadilha comum na utilização eficiente da espada da sua energia masculina é o conceito de igualdade: “Somos todos iguais, portanto eu não deveria me distinguir dos outros e deveria compartilhar o que tenho com eles.” A idéia de igualdade está correta até certo ponto. No nível da alma nós somos iguais. Entretanto, no nível da manifestação, não somos. Algumas pessoas são mais capazes de deixar sua luz interior brilhar do que outras. Quando não reconhecemos isto, deixamos o campo aberto para as sanguessugas de energia. As pessoas, em especial, que irradiam muita luz e têm muito para dar, deveriam se proteger. Esteja atento e perceba para quem ou para o que você dá a sua energia. Nem todos estão prontos para receber o que você tem para oferecer. Não deixe que a sua dádiva mais preciosa seja consumida por pessoas ou organizações que não condizem com a sua vibração. Use sua energia masculina para este propósito.
3o PASSO – RECONHEÇA QUE A MÃE TERRA É SUA AMIGA
Muitas pessoas hipersensíveis têm uma certa resistência a viver na Terra. Essa resistência se deve, em parte, ao fato de elas não se sentirem à vontade na sociedade ocidental moderna. A energia da sociedade não se afina com a delas e elas se sentem hostilizadas por ela e querem ir embora. Inconscientemente, elas se lembram da sua herança espiritual e anseiam por voltar ao “lar”. Querem voltar à paz e à harmonia dos reinos celestes, que contrastam tão profundamente com o barulho, o medo, a agressividade e o anonimato da sociedade humana atual.
Além desta razão de sentirem resistência a viver na Terra, as pessoas sensíveis também têm intuições sobre o que aconteceu em suas vidas anteriores neste planeta. Geralmente carregam lembranças de guerra, perseguição e outras formas de agressão. Elas se lembram de terem tentado ser boas e fazer o bem na Terra e terem sido violentamente rejeitadas por isso.
Para superar sua resistência a estar aqui, é importante diferenciar a energia da sociedade humana da energia da Terra em si. Para fazer isto, encontre um lugar bonito na natureza. Vá lá num final de semana, quando ele estiver tranquilo. Sinta a energia desse lugar, sinta a serenidade e a paz. Abra o seu coração para esse lugar na natureza e sinta todas as energias lá presentes. Além de você, existem espíritos da natureza, como fadas e duendes que trabalham em conjunto com a Terra. Agora sinta a própria Terra. Esta é a Terra para a qual você veio, a Terra que deseja se aproximar de você e quer ampará-lo. Abra o seu coração para a energia e o amor dela.
Entrando nessa conexão com a Terra, você é capaz de assumir verdadeiramente o seu lugar aqui e irradiar sua luz neste mundo. Você pode mudar o mundo e torná-lo mais bonito. Existe um lugar para você na Terra onde se sentirá em casa. Este lugar se tornará um farol de luz que transformará o mundo ao seu redor.
PESSOAS HIPERSENSÍVEIS SE ESCONDEM DO MUNDO.
PESSOAS ALTAMENTE SENSÍVEIS IRRADIAM LIVREMENTE SUA LUZ NO MUNDO.
4º PASSO – USE SUA ENERGIA FEMININA PARA SE TORNAR AINDA MAIS SENSÍVEL.
Sua energia feminina pode fazer a diferença entre ter medo de alguém e amar alguém. Ela o capacita a olhar por trás da máscara que a pessoa está usando e enxergar sua vulnerabilidade. Em nossos corações, somos todos bons. Deus está no coração de todo mundo. Você pode usar sua energia feminina para se tornar ainda mais sensível, de modo a usar sua empatia para realmente entender o que é estar na pele de outra pessoa. Perceber o outro desta maneira pode ajudar você a compreender as observações e comportamentos ofensivos dele. Pode ajudar você a liberar tudo isso.
Isto se torna possível quando sua energia interna masculina é suficientemente forte para proteger seu lado feminino. Quando ficamos magoados com algo que outra pessoa falou para nós, geralmente não nos magoamos com as palavras em si, mas com a nossa própria interpretação exageradamente sensível dessas palavras. Muitas vezes as pessoas não têm a intenção de nos ferir, o que geralmente acontece é que elas deixam escapar alguma coisa que não era dirigida a nós pessoalmente. Sua energia masculina pode ajudá-lo a não se ofender, a não tomar as coisas tão pessoalmente. Sua energia feminina pode ajudá-lo a sentir o que realmente está acontecendo no interior da outra pessoa. Ao usar o dom feminino da sensibilidade, podemos ver muitas luzes neste mundo escuro à nossa volta. Tornando-nos mais sensíveis, damos um passo na direção do coração dos nossos companheiros humanos, que geralmente é muito mais carinhoso e luminoso do que pensávamos. Quando percebemos a luz no coração do outro, esta luz brilhará mais forte.
Tornando-se ainda mais sensível, você não apenas adquire uma percepção mais profunda de quem a outra pessoa é, mas ela também passa a conhecê-lo melhor. Ela sente algo sensível, carinhoso e belo em você, que ela não tinha percebido antes. Quando você reconhece o outro, ele reconhece você. É assim que você começa a se sentir em casa na Terra;
SER UM ANJO É ESTAR EQUILIBRADO.
Todo ser humano dá e recebe. Para permanecer espiritual e fisicamente saudável, precisamos estar em equilíbrio com o meio em que vivemos. O fluxo de doação e o fluxo de recebimento devem estar em equilíbrio. No momento em que irradiamos mais da nossa luz, fazemos a transição da hipersensibilidade para a alta sensibilidade. Então nos tornamos o anjo que somos e o fluxo de doar aumenta. Nós emitimos uma luz linda e criativa e a compartilhamos com o nosso ambiente, geralmente sem sabê-lo. A energia que doamos ao mundo quer voltar para nós, na forma de abundância física.
Isto causa problemas em muitos sensitivos. A pessoa hipersensível geralmente não acredita que a vida possa ser bela, rica e abundante para ela, pois sente que isso não seria justo, que ela não merece isso, e assim bloqueia o fluxo de recebimento que quer vir até ela. As tradições religiosas, que ensinam que é melhor dar do que receber, ou que é pecado ter prazer, apóiam esta linha de pensamento. O medo e a dúvida afastam a abundância natural que deseja vir para o seu caminho.
Esteja atento a isto. Verifique se você está realmente aberto ao que o universo gostaria de lhe dar, a todo o amor que está aí para você. Enquanto não disser “sim’ para o que o universo quer lhe enviar, você não terá verdadeiramente dito “sim” para si mesmo. Diga um “sim” sonoro e amoroso para si mesmo. Então o fluxo de recebimento na sua vida se tornará natural para você".
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Oquei.
Consta que hoje, dia 08/08, assim como dia 01/01, é dia de Rochel, o anjo do meu aniversário, cujo príncipe é Gabriel. Suas outras datas são 20/10 e 27/05. Dizem que Rochel pertence a uma categoria de anjos cuja aparência depende de como o imaginamos.
Gosto de imaginá-lo bem.
Seja bem-vindo, meu irmão e amigo.
És aguardado.
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
A MATÉRIA
Tente flagrar-se, em algum momento, longamente entretido com suas especulações e fabricações mentais.
Tente perceber-se totalmente distraído do mundo em volta há minutos. Se forem horas, tanto melhor.
Aí olhe em volta. Perceba a mesa, a cadeira, o chão, as paredes.
Como a matéria é dura, lenta, burra, não é?
Como as coisas demoram mais tempo para acontecer - para serem criadas ou transformadas - no mundo da matéria, não é?
Como tudo pressupõe um choque, uma queima, uma força, uma dor, não é?
Pois é.
A matéria.
Eu tenho um pequeno modelo sobre o universo, modelo ao qual cheguei há um par de anos. Esse modelo pretensamente explica até desdobramentos das idéias de Einstein.
Tomamos como verdade, por exemplo, que:
e = mc2
Onde 'e' = energia;
'm' = massa;
'c' = velocidade da luz no vácuo ao quadrado.
Sendo assim:
m = e/c2
Ou seja: a massa dos corpos é a energia (do big bang?) sendo filtrada pela resistência que o meio oferece a sua difusão.
Como assim?
Ora, a luz é onda, mas é também partícula. Partículas de luz que sejam atiradas, em fila, em uma determinada direção, podem encontrar o atrito do ar, ou da poeira, ou de obstáculos ainda maiores à sua propagação. Podem literalmente ficar engarrafadas, como automóveis em um sinal de trânsito.
Claro, não é? Pois trace círculos concêntricos a partir do tal do 'big bang' - Brahma, para alguns. Cada círculo mais externo tem menor concentração de 'matéria'. Logo, ali, a luz se difunde mais rápido. Qualquer ser que habite ali terá massa menor que a nossa, embora concentre muito mais energia.
Quanto mais próximo ao big bang, por outro lado, maior é a densidade do meio e mais lenta é a propagação da luz. Ali, o fator 'c' da equação terá valor menor. Ali, a massa das coisas, dos seres, de tudo, é bastante maior do que em regiões mais afastadas do universo.
E eu vejo mais: eu vejo que, do outro lado de um buraco negro, existe um quasar, jorrando para um meio mais rarefeito a energia que é sugada, pelo buraco negro, de um meio de densidade mais concentrada.
Onde está o big bang? Onde está sentado Brahma, irradiando cópias de si mesmo para todos os lados, como o Sol, como os profetas solares, como todos os messias, como Jesus, como os enviados, os ungidos, os literalmente iluminados?
Brahma está sentado no ponto de onde despontam todos os quasares. Todos os jatos de energia que Brahma lança por através das paredes, empurrando a matéria cada vez mais para fora, cada vez mais para longe de si, expandindo a criação, repetindo seus desenhos em escalas cada vez maiores, até o ponto em que seus próprios filhos olham em volta e não conseguem mais ligar os pontinhos, caindo no equívoco máximo de, em suas observações, concluir que o universo é escuro, quando, na verdade, é apenas desenhado em uma tela grande demais.
É tudo como atirar um ovo cru sobre o chão.
A gema fica no centro, enquanto a clara, mole, vai se espalhando. Lá na periferia, há apenas gotas de clara, e não a massa espessa que se encontra próximo à gema, central, amarela, concentrada, de onde escorre o conteúdo líquido, que vai rareando até as bordas daquela sujeira.
Assim é o universo, segundo eu vejo.
Quanto à consciência, resta-me uma questão: ou a consciência é feita de uma partícula bastante mais leve do que a que compõe a matéria ou estamos realmente tratando de um universo holográfico. Porque a consciência e a matéria coexistem. Que a matéria - ou a percepção do sólido - é pura questão geométrica, isso me parece claro. O que fascina e intriga é a coexistência entre a velocidade e a lentidão.
Até o momento, essa e outras questões me levam a crer que a consciência é emanada do big bang ou de Brahma neste exato momento, enquanto a matéria já foi lançada em um momento anterior do espaço, recebendo a consciência praticamente como um sinal de rádio. A estação está lá, o aparelho está aqui, sentado diante da máquina, digitando quase que por psicografia essas tão mal-traçadas linhas.
Será tudo realmente a pineal? Nossa antena, o terceiro olho?
Se tem algo que me chateia na idéia da morte, a morte como a compreendemos, humanos, é o fato de não poder trocar umas idéias com certas figuras que já se foram.
Mas e você, cara mesa? Tem algo a acrescentar?
E a mesa silenciou e o velho homem sentou-se diante dela e dedicou os últimos vinte anos de sua vida a simplesmente contemplá-la, até que extraísse dali tudo o que uma mesa poderia lhe ensinar.
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segunda-feira, 26 de julho de 2010
PERIGO: CORRENTEZA
Quando você desce, a sensação é de afogamento seco.
O céu vai ficando mais longe, a visão vai turvando pela cor incolor da água, as figuras vão parecendo mais distantes, o repuxo que te leva ao fundo parece até natural, de tão constante e aparentemente autônomo...
Você chega a cogitar que não haja problema em seguir com ele, enquanto ele se impuser sobre você.
Vamos descendo, que mal há nisso? Em instantes, a maré se inverte e tudo volta à superfície.
Você sente que recomeçou um movimento de subida quando quem estava a seu lado agora te puxa para baixo.
É o primeiro sintoma. De repente, você sente que está emergindo. Sente-se minimamente em paz, no mínimo flutuando sob a corrente, não mais descendo, não mais se embolando com o sal. Até que reaparece alguém, uma companhia do momento anterior, e, parecendo fazê-lo até por maldade, te chama a atenção para o tanto de água que ainda há sobre suas cabeças.
Não é por maldade. Não é dirigido a você. É uma mão estendida, nervosa, unhando qualquer rocha que haja em volta, clamando por algo concreto que a ajude a apoiar-se e subir.
Não é à toa que os salva-vidas das praias têm todo um treinamento para não transformar apoio em alavanca.
Porque o que faz subir não pode ser obrigado a descer.
Se algo te puxa para baixo, é porque está abaixo mesmo. Ficou abaixo agora, quando você começou a subir.
Agora o ar é denso. Meu atman ressente o atrito. Subir é quase mesmo como contrariar a espuma das ondas e guardar o pulmão endurecido, calado, na fé de que a superfície chegue logo, antes que o diafragma contraia e relaxe involuntariamente, o que acabaria por deixar o corpo se inflar por completo de água salgada.
Para cima. Para cima. Sempre nadando para cima.
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
DE GANHAR A PERDA
Fácil é desapegar-se de algo cujo valor não se conhece.
Difícil é aquinhoar o valor na ausência da ausência.
A presença tende a anular-se. Só a ausência é presente.
Conviver com a presença da ausência é bem diferente de conviver com a ausência tão típica da presença.
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sexta-feira, 16 de julho de 2010
PERGUNTE AO BEBÊ
Casamentos homossexuais na Argentina.
Amigo, mesmo o pequeno espaço existencial dentro do qual você se crê agente de alguma coisa é pura construção de terceiros. Em caso de avanço, nenhum mérito deve ser conferido a você.
Se você nasce hoje em dia, mesmo que seja um daqueles foras-de-moda que ainda nascem por meios naturais, sem o rótulo de nenhum laboratório ou empresa farmacêutica, fatalmente vai precisar de uma escola, de uma faculdade, de cursos de extensão, de línguas; depois vai precisar de um emprego, de uma rotina que lhe ceife 80% do tempo, apenas a fim de mantê-lo dedicado àquela mesma rotina no dia seguinte; vai precisar encontrar uma pequena lacuna dentro do sistema que montaram e vai precisar convencer a si mesmo de que nasceu para fazer aquilo e apenas aquilo; vai precisar gostar de álcool, a fim de socializar com os outros 90% do mundo, que chegam a condenar e tentar desintegrar outras formas de entorpecimento; vai precisar acostumar os ouvidos ao tipo de música tosca que se veicula - a fim de gerar dinheiro fácil e vender subprodutos -, vai se conformar com a televisão emburrecedora, já que isso é de interesse de políticos e dos demais condutores da sociedade...
Se nascer na Argentina, agora, pode dar de cara com dois pais. Ou duas mães. Ali, a sociedade resolveu aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Antes já havia a adoção de crianças, um paliativo para as pessoas irresponsáveis que põem filhos no mundo como se lançassem um filme ou um sabonete novo no mercado. Ter filhos virou mais um "projeto" do homem moderno, o cânone máximo do egoísmo e da total desatenção. "Vou fazer um doutorado, me estabelecer, e depois parar por dois anos para ter filhos. Quero muito ser mãe". Pois agora a criança abandonada pode ser adotada por um casal homossexual.
Sou contra o direito da adoção? Sou contra o direito ao "casamento"? De maneira nenhuma. Em sua vida íntima, em seu microuniverso, cada um tem o direito de agir como bem entender, desde que isso não implique em tirania sobre a vida de terceiros. A questão que ainda me incomoda é pensar que o ser humano mantém a mesma ética de sempre: manda o mais forte.
Manda na política a máfia que se articula melhor, manda nos costumes a massa robotizada que representar a maior fatia de uma determinada população - sejam esses, por exemplo, vítimas dos discursos modernos e irresponsáveis, sejam as mesmas ovelhas religiosas de sempre -, mandam nas leis aqueles que nasceram antes...
A cada dia que passa, enquanto enxergo as pessoas levando vidas cada vez mais pobres e anestesiadas, perco um pouco do interesse e mesmo do respeito pelas fórmulas que o ser humano encontrou para se organizar em coletividade.
São cada vez mais leis, regras, punições, vigilância, e há cada vez menos estofo dentro de cada dito cidadão.
Rumamos para um estágio em que você não precisa realmente usar seu crânio para nada, a não ser para andar na linha. Andando na linha que terceiros lhe desenharam, você vai do berço ao túmulo sem ao menos precisar olhar para os lados.
Sentiu carência? Invista seu dinheiro em um carro, arque com cinco anos inteiros de prestações e saia pelas ruas, sentindo-se no seu direito, infernizando o dia-a-dia dos outros cidadãos que, por serem menos 'espertos' no jogo de garantir o seu pirão primeiro, tentam pateticamente chegar ao trabalho em ônibus e vans improvisadas. Todos presos uns aos outros. Se não pelo coração, se não pela ética, se não pela inteligência, ao menos pelos para-choques e buzinas.
Sentiu novamente o vazio existencial? Entregue milhares de dinheiros nas mãos de uma companhia aérea e ganhe o direito de visitar a Terra Santa, lá em Israel. A Terra Santa já foi conquistada e está lá, cercadinha, esperando por você, sendo mantida à força, às custas de tantas outras pessoas que também deram a má sorte de nascer no planeta Terra, sob o comando daqueles que abocanharam primeiro o pote de ouro.
Hoje, há os direitos dos negros que querem comportar-se como os brancos sempre fizeram (e não querem mudar qualquer coisa estrutural que seja), há os direitos dos homossexuais, que querem aparecer em público e mendigar as mesmas migalhas de aprovação que toda a sociedade insiste em buscar nos ambientes mais sem sentido, há os direitos dos radicais de todos os lados - tanto os fundamentalistas islâmicos que apedrejam mulheres com cabelos à mostra quanto os outros fundamentalistas de uma pretensa "razão", que proíbem o uso de adereços religiosos, como na França atual, "pós-revolucionária".
Há direitos para todos.
Ao mesmo tempo, não há direito para ninguém. Desde tempos imemoriais, o ser humano vive sob a ética de aproveitar as beiradas, enquanto o grosso do caldo é envenenado diariamente.
Sinceramente? Casem-se os que quiserem. Passem seus bens adiante o quanto quiserem. Um homossexual que luta para ser reconhecido por um "Estado" que nunca o contemplou é como a mulher do malandro, que apanha, mas que não conhece sua própria identidade enquanto não estiver sob a mira do cacete.
Cada vez que um homem de boas intenções pretende galgar algum degrau de poder sobre os demais, vê-se diante de dois caminhos: agir por fora, ignorando os ambientes que só têm relevância porque os homens assim decidiram, ou insistir no mesmo erro de todos os outros e fazer alianças que não apenas anulam a si mesmo, mas ainda garantem que os próximos inocentes, como os bebês argentinos, precisem abrir mão do dom da vida, que receberam sem nem saber do fato, e dedicar sua existência a tentar dirigir esses mesmos ambientes artificiais. Nascem conduzidos e estão condenados a tentar conduzir.
Como tentar me vencer em um jogo que é meu? Um jogo que eu mesmo inventei? Ainda que me vençam, terão a ingrata missão de manter o tabuleiro funcionando. Transformar-se-ão no que eu mesmo outrora fora. Que o digam os inúmeros candidatos da dita "esquerda", que passam décadas sendo sabotados pelo poder estabelecido, até que se cansem e aceitem oferecer a testa-de-ferro aos mesmos comandantes de sempre. Vencem eleições cheios de "aliados" e saem sem fazer qualquer diferença.
Apossar-se de um sistema é transformar-se naquele que o provê. Se um homem decide viver em regime de casal com outro homem, por que diabos vai usar referências católicas para enxergar a si mesmo? Por que diabos precisa da chancela de terceiros? E por que diabos terceiros poderiam negar-lhe isso?
Hum, é claro. Porque o homem nasceu em uma sociedade que foi formada por aqueles mesmos valores. Ora, mas se sua própria individualidade já foi capaz de provar a insuficiência daquele modelo, por que perder tempo com ele?
Cada vez que você tenta tomar as rédeas da sociedade para si, está se comportando como aqueles que tiraram as rédeas de suas próprias mãos, em um momento anterior.
Espere vinte anos e pergunte ao bebê se não é assim.
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quinta-feira, 8 de julho de 2010
CONSELHO ETERNO PARA UM AMIGO REFÉM DAS MAZELAS DO CORAÇÃO
O amor está em tudo.
Aí vai de você.
É, o amor está em tudo. Seu único limite será sua capacidade de amar.
Até onde ela vai?
O que não falta por aí é gente e coisa querendo e precisando ser amada.
Vai, amigo. Ama.
Pega tudo e ama.
Pega tudo e ama.
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quarta-feira, 7 de julho de 2010
FERRO NA BONECA
Parar...
Não tenho muito isso de parar. Ou de concluir, de ir até o fim. As coisas não têm fim. Você pode se dedicar a elas por mais ou por menos tempo.
Colher os frutos é apenas questão de tempo, verdade, mas, se é verdade que há frutos que só se colhem depois de muito esforço, foco e dedicação, há outros que caem maduros já no primeiro instante.
Saber colhê-los é também uma arte. São quase invisíveis, ainda que deixem um aftertaste impressionante.
As coisas começam e se transformam em outras, ainda que essas sejam sua antítese. Um discurso, um silêncio. Um silêncio não é o fim de um discurso.
Dó, ré, mi, silêncio, sol, si...
Não é um fim e um recomeço.
Como se diz a respeito de certas ervas, que não são um destino e nem uma estrada, mas apenas um veículo, o silêncio não é um fim que implica em recomeço. É um cavalo que você monta para levantar a próxima bandeira já lá, bem mais adiante.
Sobre as ervas e sobre o silêncio, os dois são como muletas. Um homem decrépito usa muletas, um aleijado usa muletas, mas um alpinista também.
Tudo depende da altura do monte que se quer escalar.
O silêncio é apenas uma longa e firme nota musical.
De todas as sete, o silêncio é a verdadeira oitava.
É pluft, pluft, pluft, pluft, pluft
É ferro na boneca
É no gogó, neném.
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
DE FRENTE COM MEU KARMA
- ...por quê?
- blablabla.
- e por quê?
este post é um agradecimento à vida por toda a sua complexidade e beleza; por toda a feiúra que se apresenta a todos nós que não temos humildade para nos submeter à natureza e julgamos a estética disso e daquilo.
Que dia. De frente para todo o meu karma.
Inteirinho. Escritinho.
Flagrei a cobra mordendo o rabo. Escapei de uma boa, até.
Duas, talvez. Duas.
Senti o dia do nascimento de novo. A estréia, o início da construção da cruz.
Senti a espiral claramente. Agora é ver o quanto eu subi.
Oh, life. 's bigger.
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quarta-feira, 16 de junho de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
A FAMOSA VOZ DO CORAÇÃO
deixe de ser teimoso.
Você já aprendeu que fiar-se em qualquer coisa externa a você para alcançar alguma forma de felicidade é abrir mão de uma plenitude que sempre esteve aí; é tratar a si mesmo como um aleijado, como uma prótese de alguma outra coisa.
Você já aprendeu isso. Passa o tempo inteiro encarando um mundo que não pensa assim, conhece muita gente que discorda disso, mas, mesmo assim, quando se dá conta, está flagrando o mesmo princípio se repetir ou com você ou com as pessoas em volta.
Você já aprendeu. Você nasceu do jeito que nasceu, não há nada errado ou insuficiente em você, você tem o corpo sadio, tem uma mente que se abre sem maiores dificuldades, tem um temperamento pacífico - quando está no seu elemento - e tem afeto de sobra para si e para distribuir.
Você já aprendeu isso tudo. Então por que insiste em desafiar a si mesmo?
Quando você disse a si mesmo "qualquer coisa externa", era realmente "qualquer coisa" externa. Então compreenda que "qualquer coisa" que você decida ignorar nesse sentido vai fatalmente vir carregadinha de karma.
Há certas coisas que você prefere continuar fazendo. Talvez por não se achar pronto para abandoná-las, talvez por não se ver ainda tão corajoso quanto poderia ser. O fato é que você escolhe. Você as elege. Então procure abrir essa exceção apenas para aquilo cujo karma - já conhecido - te parece contornável. Já não é o ideal, mas, admito, você não é apenas idéia. Parte de você é realmente coisa e deve ser cuidada como qualquer coisa de valor.
Já sobre outras coisas, você sabe perfeitamente que, ainda que decida tratá-las com alguma dose de cinismo ou distanciamento, vai dar com a cara no muro. Porque vai desvirtuá-las por completo. Vai fazer com que elas percam o sentido. Então não se lance em direção a nada que vá anular o grande estado que você já alcançou e que, a cada esquina, a cada distração, tem realmente ajudado de alguma forma as pessoas que estão à sua volta.
É amor que você quer? É realmente amor? Está faltando amor aí?
É segurança? Você está inseguro? E conhece algo nesta vida que seja garantia real de segurança; algo diferente de traçar seu caminho de maneira atenta e jamais deixar de brandir a chamada arma da atenção? Você conhece algo externo a si mesmo que possa te garantir essa tal segurança?
Você vai insistir no erro de esperar por algo externo?
E vai esperar isso tudo de alguma pessoa, justo quando cada um está suficientemente sufocado por seus próprios dilemas? Vai eleger uma pessoa para conversar sobre como o mundo inteiro é torto? Essa pessoa, por algum acaso, será externa ao mundo?
Carlos,
você já sabe disso tudo.
Procure não dar tanta bobeira. É seu coração que te pede.
Por favor.
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sexta-feira, 28 de maio de 2010
MESTRE EM PLANOS PARALELOS
Nada do que eu conclua hoje sobre a vida e o mundo pode ser encarado como um surto, um rompante, um relâmpago surgido do vácuo, uma invenção sem pai nem mãe, uma luz que se acende na mais sinistra escuridão.
Tem anos, trintetrês, mais exatamente, que venho formando minha cabeça e minha visão de mundo. Ao longo desse tempo, descobri que o natural, para mim, enquanto tantos se esforçam para cercar-se de bens materiais, de provas concretas de seus sucessos e avanços, é investir em valores internos.
Sou meu próprio projeto, minha própria ambição, meu próprio patrimônio. Sou pai e filho de mim mesmo, assim como sou pai e filho do universo mágico, metafísico, diante do qual me curvo e que reverencio o tempo inteiro.
Hoje o dia começou com uma notícia interessante: um francês ouviu uma música minha na internet e pediu para inseri-la em um filme que deve ser exibido tanto no Brasil quanto na França. Um filme sobre Brasília, a ser exibido em festivais de artes dos dois países.
Autorizei, é claro.
Sendo assim, enquanto passo os dias no morro da Mangueira, no Rio de Janeiro, serei ouvido e apreciado pelos círculos mais aristocráticos do velho continente.
Brasília já tinha me servido para muito além do que eu poderia esperar de qualquer cidade. Além dos inúmeros eventos estranhos que coro só mesmo em pensar em dividir com os amigos, ainda me trouxe a experiência mágica de ver a mim mesmo na tela do cinema.
Ali era o também francês Henri, personagem do livro/peça/filme de Clarah Averbuck. O livro chama-se "Máquina de Pinball". O filme, dirigido por Murilo Salles, chama-se "Nome Próprio". O ator era francês, mas, teoricamente, o personagem era eu. Ir ao cinema assistir a uma versão ficcional de mim mesmo já tinha sido impressionante. Só sobre essa experiência, já seria capaz de falar por dias a fio.
Mas agora é algo um tanto diferente: é minha voz mesmo, é meu violão colorindo a película. É o fruto de dois anos de reclusão estampado nas telas, servindo de trilha sonora para aquela mesma cidade que me inspirou a canção e tantas outras coisas.
Brasília, Brasília. Brasília que não me sai do pensamento, Brasília que não me sai do blogue, Brasília que me invade por todos os lados, mesmo por aqueles que, teoricamente, não passariam por lá.
Abaixo, segue um texto que submeti à Universidade Federal Fluminense, tentando me inscrever em uma pós-graduação em educação a distância. Esse curso, imagino por agora, pode ser a chave que faltava para que eu possa me mandar para o interior do país e viabilizar todas as outras coisas sobre as quais venho falando ad nauseum.
O tema da redação era "minhas perspectivas de atuação no ensino a distância".
Enjoy.
"O filósofo grego Platão costumava dividir tudo o que existe em dois mundos bem específicos: o mundo das coisas e o mundo das idéias. Quando trilhamos o caminho do conhecimento, é natural, colocamos cada vez mais ênfase no mundo das idéias. Dotados de conhecimento, não apenas podemos nos descolar mais facilmente da realidade dada e criar outra mais apropriada, como ainda deixamos nós mesmos de nos entendermos como coisas, passando a compreender que, assim como as idéias, estamos conectados e influímos diretamente nas vidas uns dos outros.
O conhecimento tem o poder de alterar o dia a dia das pessoas, de fazê-las viverem melhor. Tem o poder de fazê-las conhecerem melhor a si mesmas e à realidade que as cerca. O conhecimento fornece ao indivíduo autonomia, de forma mais imediata e menos nociva do que a sanha pelo acúmulo de bens materiais, que perde de vista o outro e o equilíbrio de todo o sistema. Com acesso a educação, fica mais fácil percebermos que estamos inseridos em um sem-número de ambientes, seja o político, definido por leis que tomam uma faixa contígua de terra como um Estado, um país, seja o humano, explicitado pelo dom comum a todas as pessoas - o dom de evoluir, de expandir sua consciência -, seja o natural, que, em um mundo cada vez mais afeito às criações do homem, passa a ser encarado como empecilho para sua independência.
O educador Darcy Ribeiro já disse que, ao final da vida, contava inúmeros fracassos. Entre esses, estava a tentativa de promover educação de qualidade para o povo brasileiro, no qual contava não apenas o homem dito civilizado, mas ainda nossos irmãos silvícolas, aos quais pretendia alfabetizar. Foi-se dizendo-se fracassado em ambos os intentos. Mas foi-se declarando que cada fracasso daqueles, pela tentativa honrada, dedicada, honesta, representava um de seus maiores sucessos.
O presidente Juscelino Kubitschek tomou posse defendendo a bandeira da interiorização do desenvolvimento no país. Em nome disso, criou-se uma nova capital, montou-se toda uma estrutura administrativa, essa capital já tem até seu próprio povo, sua própria cultura florescente, mas nota-se à primeira olhada tratar-se, até agora, de uma ilha de prosperidade material em meio ao bom e velho sertão, entendido no sentido de terras inexploradas, vocábulo caro aos antigos senhores de engenho brasileiros.
Brasília foi criada sob a bandeira da expansão do conhecimento, da razão, da cultura e da civilização pelo território nacional. É chegada a hora de pôr o projeto em prática. Temos milhares de quilômetros povoados por brasileiros que passam a vida à margem de seu próprio país, de seu próprio povo, e que, em frágeis tentativas de inserção, acabam por ocupar as favelas, as periferias, as zonas cinzentas, sempre ostentando o status de cidadãos de segunda classe. Pois a solução para o contraste que se observa entre regiões, entre estados, entre bairros de nosso país é justamente a classe, o nível, o ano letivo.
Diz o antigo ditado: se Maomé não vai à montanha - e em nosso caso, o percurso e as condições de viagem de Maomé, no interior do país, até a montanha acadêmica não são as mais favoráveis - que vá a montanha até Maomé. A apropriação pode parecer um tanto religiosa, mística, afeita a planos improváveis, mas é passada em ambiente virtual, pela internet, algo que o ser humano conseguiu empreender no sentido de acessar justamente planos alheios à realidade material. Através da internet, pode-se passar tudo o que não é coisa. Através da internet, como talvez dissesse Platão, transmite-se, apresenta-se e insere-se o homem no mundo das idéias. Inserido o homem no mundo das idéias, altera-se naturalmente o estado do mundo das coisas".
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terça-feira, 25 de maio de 2010
ORBIS PARUM, OMNIMODUS INFINITUM
O espírito em Brasília, o corpo na Amazônia, as havaianas nas bordas de flores do mar de Iemanjá, cá em Copacabana.
As preocupações desta vida.
rio Solimões, aldeia tikuna
"Apesar do fato de que somos um fluxo em transformação incessante, interdependentes com outros seres e com o mundo inteiro, imaginamos que existe em nós uma entidade imutável a que devemos agradar, proteger, defender. Um olhar mais atento sobre si mesmo revelará que isso não passa de pura ficção" - budismo tibetano (Nyingma Pa).
"Once you have the View, although the delusory perceptions of samsara may arise in your mind, you will be like the sky; when a rainbow appears in front of it, it’s not particularly flattered, and when the clouds appear it’s not particularly disappointed either. There is a deep sense of contentment.
You chuckle from inside as you see the facade of samsara and nirvana; the View will keep you constantly amused, with a little inner smile bubbling away all the time" - Dilgo Khyentse Rinpoche (Vajrayana).
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domingo, 16 de maio de 2010
SÓFOCLES DESERTOR
- Decifra-me ou devoro-te.
- Decifrar-te é devorar-me.
- Decifra-me ou devoro-te.
- Decifra-te a ti mesma. Já estás a me devorar.
- Decifra: qual é o aninal que, pela manhã, tem quatro patas, à tarde tem duas e, à noite, tem três patas?
- Essa é fácil: o animal é o homem. Primeiro bebê, depois adulto, ereto, e, por fim, apoiando-se em uma bengala.
- Tens certeza disso?
- Não eu, mas tu. Acreditas que um bebê é um quadrúpede, e não um deus em potencial; vês o homem feito como arrimo de sua própria sorte; enxergas o ancião como um animal defeituoso. Miras na pedra, contemplas a areia; não consideras o vento, o tempo, o calor e as benesses do sol.
- Decifraste enfim o enigma. Hei de devorar-me a mim mesma.
- Coisa nenhuma. Tal charada propõe-se a falar sobre mim, mas nada diz sobre ti, ó, esfinge.
- Decifra-me ou devoro-te.
- Insistes baseada em capricho, em franca desonestidade? Já logrei o mais difícil, que foi decifrar a mim mesmo. Segue meu exemplo. Pediste que a decifrasse e apresentaste um enigma sobre mim. Que pensas? Acaso és reflexo meu?
- Decifra-me ou devoro-te.
- Ah, então pedes por desespero. Podes devorar-me a carne, mas suplicas diante do espírito.
- Decifra-me ou devoro-te.
- Não existes sem mim, ó, esfinge. És pedra temperada pela vaidade de teu artesão.
- Decifra-me ou devoro-te.
- Devoras de qualquer maneira, bruteza.
- Bruteza? Temo o tempo, no entanto. Temo o vento. Temo o calor.
- De certo; a eles não podes devorar.
- Decifra-me ou devoro-te.
- Pede ao tempo. Pede ao calor. Fores apenas capaz de enxergá-los.
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O CAMINHO DA CARNE
Pelo lado feminino, a paixão é a ilusão da maternidade.
Amor sempre rima com dor.
Paixão rima com ilusão.
Amor não é aquilo que se chama amor.
Amor é amar a quem te dá as costas.
Amar quem te ama é amar a si mesmo.
Já é muito, vantagem pra outro patamar.
Decifra-me ou deixa pra lá.
Decifra-me ou deixa pra lá.
A esfinge enxerga o próprio umbigo.
Enquanto o herói assiste àquilo, está tudo mais do que muito bem:
ambos olhando para o mesmo lugar.
Desbrave-o, atente para o umbigo fazendo florir vontades imprevisíveis.
Atente para a mãe atônita diante dos espasmos involuntários do cordão.
Serpenteando, o oráculo dos sentidos, condutor misterioso da consciência do casal.
Até que o herói, de fome, sente o próprio umbigo doer;
cai de joelhos, flagelado, novamente sozinho em si.
Criança que chora é duas coisas: criança sua é problema seu.
Criança dos outros é problema e ponto.
Doeu o umbiguinho, foi? Tem mãe não, menino fraco?
Umbigo ligado a umbigo. Enquanto a mulher se sente mãe, cuida como se houvesse o cordão.
Pelo lado feminino, a paixão é a ilusão da maternidade.
A mulher apaixonada é como a ovelha que amamenta o filhote do boi.
Tudo é conexão. O casal são pólos conectados.
Quando a conexão falha, seja de lá para cá, seja de cá para lá,
só há duas coisas a fazer:
o certo era só contemplar.
Veja a natureza operando, separando os grãos de matéria;
mas você força pra ver convergir.
Segure em minha mão, pule para o fluxo de cá.
Transforma-te desta vez que, na próxima, eu faço o esforço.
Para tentar controlar o que, na realidade, é o que me compõe.
Decifra-me ou deixa pra lá
Decifra-me ou deixa pra lá.
A mulher ideal? Qualquer uma.
O homem ideal? Qualquer um.
O fruto está sempre lá.
Não é preciso a extração por meio de ferramentas.
As raízes do fruto escapam pelas órbitas.
Captam a dor, o amor e a flor.
O estado ideal do homem?
Precisa de tempo. De vida. De atenção.
O estado ideal da mulher?
Mesma coisa. Trabalho.
Seguindo o caminho da carne, somos bichos atendendo a hormônios.
Bichos sofridos no peito, ocupando a cabeça com discursos que levam séculos para dizer que discursos são perda de tempo.
Bichos com poder de compra. E com poder de descarte.
Temo a era da reciclagem.
Contemplo o desgaste de todo o material.
Desgaste, embrutecimento, couraças e mais couraças.
Proteger o bichinho interno. Mais frágil que sua armadura.
Decifra-me ou deixa pra lá.
Decifra-me ou deixa pra lá.
O padeiro abre a porta do forno e extrai um negro monolito.
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
sábado, 17 de abril de 2010
AUTO-RETRATO

Ó, meu grande bem
Pudesse eu ver a estrada
Pudesse eu ter
A rota certa que levasse até
Dentro de ti
Ó, meu grande bem
Só vejo pistas falsas
É sempre assim
Cada picada aberta me tem mais
Fechado em mim
És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério
Doçura de luz
Amargo à sombra escura
Procuro em vão
Banhar-me em ti
E poder decifrar teu coração
És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério
Ó, grande mistério, meu bem, doce luz
Abrir as portas desse império teu
E ser feliz
"Luz e mistério" (Beto Guedes e Caetano Veloso)
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quarta-feira, 14 de abril de 2010
RIO: O DESESPERO URBANO
Essa merece registro.
Saí da Mangueira às duas da tarde. Precisava ir até a Rua México, no Centro, a fim de pagar o aluguel do apartamento. Precisava ir até lá porque o aluguel vencia no dia 5 e o boleto só chegou no dia 9. Por que o atraso? Porque nos dias anteriores a cidade parou e nem o correio entregou a correspondência.
A multa pelo atraso? Azar o seu, cidadão.
Saio da Mangueira às duas da tarde. Precisava também ir até o Recreio. Sendo assim, sabendo do completo caos dos transportes no Rio, achei prudente sair bem cedo. Para não ter erro, fui até a Rua México de táxi. Gastei 15 reais, apenas porque os ônibus demorariam demais. Para escapar do absurdo dos ônibus, só desembolsando um valor sete vezes maior do que o da passagem.
Peguei o táxi e, mesmo assim, levei meia-hora para cobrir uma distância que levaria dez minutos.
Na Rua México, no prédio da imobiliária, apenas um elevador funcionando. Dez minutos na fila. E todos quietos, olhando para baixo. Subi, cuidei da coisa e desci.
Cheguei à Cinelândia às dez para as três da tarde.
Sentei no ponto, acendi um cigarro e fumei-o inteiro.
Peguei então um ônibus em direção ao Recreio, já que um táxi chegaria talvez aos cem reais. Cem reais me pareceram um pouco demais para conseguir cumprir meus compromissos em paz. Então peguei o ônibus.
Entrei no ônibus às três da tarde. Cheguei no Recreio às cinco e meia. Sim, foram duas horas e meia dentro do ônibus, do Centro ao Recreio.
E não, não havia chuva nenhuma para que nossos governantes e nossa grande imprensa pudessem culpar. O Rio de Janeiro está assim mesmo.
Confesso sem culpa que tive muita vontade de chorar. Oceanos de carros particulares, todo mundo preso por todo mundo, Mercedes-Benz engarrafados ao lado de fuscas, ao lado de ônibus, de táxis, de motos. Todo mundo preso.
Na Barra, ainda outra tortura: a quantidade de voltas que o ônibus dá deixa mais do que claro que os itinerários atendem basicamente à sanha de lucro das empresas, e não às necessidades dos cidadãos. Surpresa nenhuma, em uma cidade (um país) completamente controlado por máfias. Todos sabem que todas as linhas de ônibus do Rio de Janeiro são monopólios de apenas uma empresa. No Rio, há diversas empresas de ônibus, mas elas não competem entre si. Sim, é um cartel. Sim, é uma bandidagem total.
Finalmente, cheguei a meu destino, no Recreio, às cinco e meia da tarde. Não adiantou ter ido. A pessoa que eu deveria encontrar foi-se embora às cinco em ponto.
Sim, foram duas horas e meia dentro de um ônibus à toa.
Resolvi poucas coisas no Recreio e comecei a caminhar pela rua, deserta, a não ser por carros particulares engarrafados. Nem asfalto decente o lugar tem, apesar da infindável quantidade de condomínios de luxo que se erguem a cada dia. Bom, mas nada demais: se nem rede de esgoto esses empreendimentos de luxo possuem... Jogam as fezes dos emergentes direto nas lagoas... Aliás, asfalto para quê? Calçada para quê? Quem anda a pé por ali, a não ser as empregadas domésticas?
Depois de alguns minutos sem avistar qualquer ônibus, eis que surge um daqueles famosos "frescões". Fiz o sinal.
O preço da passagem? Nove reais e cinqüenta centavos. Sim, certos ônibus custam R$ 2,35, enquanto outros custam R$ 9,50. O critério? Ah, vá: você não sabe que todas as coisas no mundo custam simplesmente o máximo que o dono do negócio se vê capaz de cobrar?
Pois então. Nove reais e cinqüenta centavos. Sim, o preço era esse. Procurei pelo cobrador. Não havia cobrador. O dono da empresa se vê no direito de cobrar quase dez reais por uma passagem e ainda demite o cobrador.
Sem cobrador, a cada pessoa que embarcava, o motorista parava, contava o dinheiro, dava o troco, passava a marcha e recomeçava tudo a 1 quilômetro por hora.
É um absurdo, mas é compreensível: maximizar lucros, minimizar custos. Além disso, um cobrador desempregado é um novo motorista em potencial. Assim, além de concentrar mais dinheiro em suas mãos, o empresário pode prescindir de aumentar o salário dos motoristas.
É óbvio: um exército de cobradores desempregados aumenta bastante a demanda por emprego, o que faz o valor dos salários, segundo a lógica demoníaca do "livre comércio" (hahahahaha! Livre!)... Ai, ai. Nem consigo terminar a frase.
Em suma: se há um monte de motoristas em potencial querendo um emprego, o dono da empresa simplesmente não precisa aumentar salário nenhum! Não está satisfeito com seu emprego de motorista? Dane-se. Tem quem queira.
Agora são sete e meia da noite. Depois da volta no frescão, conduzido por um motorista que esfregava em minha cara que não aceleraria nem um quilômetro a mais, já que atendia aos horários estipulados pela empresa, consigo chegar em casa.
Hein? O que quero dizer com tudo isso? Não sei. Acho que quero dizer que hoje fiquei por um fio de simplesmente cair no choro. Em público.
Mas já que estou aqui, vou narrar também minha ida ao trabalho.
Oito horas da manhã. Onde está o ônibus? Não passa.
Até que passam dois ao mesmo tempo. A linha 474 tem esse cacoete mesmo. Passam dois ônibus juntos, e sempre pela pista de fora. É uma gracinha deles.
Perdi ambos os ônibus e precisei pegar um táxi. Normalmente, essa viagem custa simbólicos (!) R$ 25. Calcule vintecinco reais multiplicados pelos dias úteis do mês. Depois compare com o salário que o governo do estado me paga. E depois ria, é claro.
Chegando a meu destino, a Mangueira, reparo que o taxímetro já está em trinta reais. E olha que a tabela já mudou mais uma vez. Trinta dizia o taxímetro. A tabela já dizia trintepoucos.
A vinte metros de onde eu pararia, arranho a garganta e dirijo-me ao motorista.
- amigo, não me leve a mal, mas seu taxímetro está funcionando direito?
O cara congelou.
- por quê? qual o problema?
- o problema é que faço esse caminho sempre e, ao final, dá R$ 25.
- ah, então está bom. paga R$ 25 mesmo.
Ou seja: taxímetro? pfff...
Conto ainda mais outra, essa ocorrida com um amigo de um amigo, que me contou em detalhes, mas que pode ser ficção também. Tem até personagem.
Jorginho gosta de fumar um baseadinho. Não conhece traficantes, não tem contato com essa gente e acaba pedindo que outro amigo, mais moreno, mais camuflável em meio à pobreza afrodescendente, suba o morro e faça o serviço por ambos.
Jorginho estava trabalhando e recebeu um telefonema do amigo, que avisava não ter conseguido a erva.
Combinaram então de encontrar-se perto de onde eu trabalho, ali, na Mangueira.
Encontraram-se diante da quadra da escola de samba. Conspiraram um pouco e decidiram acessar uma outra entrada da favela. No caminho, foram abordados por um carro da Polícia Militar.
- boa tarde. os senhores estão portando alguma substância entorpecente?
Jorginho, sempre educado, respondeu.
- não, senhor. não temos nada não. houve algum problema?
- bem, não têm nada aí? posso descer e revistar?
- pode sim, mas o senhor vai perder seu tempo. não temos nada.
Diante disso, os policiais resolveram deixar quieto e partiram adiante.
Alguns minutos depois, voltavam mais uma vez.
- é que ficou uma dúvida. os senhores se importam se forem revistados?
O que você diria, amigo? Sob a mira de uma metralhadora.
Pois Jorginho nem titubeou, desprovido de narcóticos que estava.
- podem revistar. fiquem à vontade.
Desceram, revistaram ambos e encontraram um pequeno baseado no bolso do amigo de Jorginho.
- já começou a aparecer! agora nós vamos proceder para a delegacia e seu amigo vai ser enquadrado no artigo 28. o senhor vai servir de testemunha.
Jorginho, que não é do crime e nem da polícia, franziu a testa.
- o que é o artigo 28?
- posse e bla bla bla.
- puxa vida, o senhor vai mesmo desgraçar nossa vida por causa desse baseadinho?
- por gentileza, entrem na viatura.
Entraram no carro dos policiais. Algumas voltas sem sentido e o policial vira-se para trás.
- vocês querem ir para a delegacia?
A resposta veio em uníssono.
- não...
- então vamos ver como podemos resolver isso.
Jorginho aguardou, mas seu amigo logo entendeu.
- quanto você tem aí, Jorginho?
- vinte reais.
Jorginho tinha sessenta reais, mas não era pai de ninguém.
- beleza, tenho vinte também. quarenta reais resolvem para os senhores?
Em silêncio, o policial apanhou os quarentas reais e guardou no bolso.
Não, não liberou Jorginho e o amigo imediatamente. Antes disso, para surpresa de ambos, abriu o porta-luvas da viatura da polícia, pegou uma quantidade de maconha que, no mercado das favelas, custaria dez reais e a vendeu por quarenta.
Sim, vendeu-a a Jorginho e ao amigo. E vendeu pelo quádruplo do preço.
Jorginho e o amigo então desceram, com a maconha vendida pelo policial nos bolsos, entraram em um bar, dividiram a erva discretamente, como dois cavalheiros discretos, e seguiram cada um para sua casa.
Pronto: este é o Rio de Janeiro de verdade. Curtiram?
Boa noite.
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